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Acordo Mercosul-UE repercute positivamente no setor empresarial

Solange Poli | 07/07/2019 | 07:00

Depois de duas décadas de negociações, foi assinado no dia 28 de junho o acordo de livre comércio entre Mercosul e UE (União Europeia). Com a sinalização de modificações significativas nas relações comerciais, empresas e profissionais de Jundiaí revelam suas expectativas positivas, com uma análise sobre os reflexos na economia regional.

Na HMY do Brasil, multinacional franco-espanhola especializada em soluções de mobiliário para espaços comerciais, o gerente de comércio exterior Renato Kühl ressalta que a ideia é melhorar os custos dos produtos vindos da Europa e ampliar o mix. “É um passo muito importante. Com o acordo, há muito tempo esperado, poderemos trazer mais novidades, viabilizando e incrementando nosso mix de produtos com novas tecnologias e design europeu. Com a redução de custos, teremos condições de maior competitividade nacional e internacional”, analisa, lembrando que esse acordo é uma via de mão dupla e a Europa precisará enxergar o Brasil como um mercado importante a ser explorado, com um nível de detalhamento que será definido em cada país.

A empresa atende a clientes de alimentos, têxteis, entre outros tipos de lojas. “Exploramos a inovação como cultura para garantir sempre uma boa posição no mercado e o acordo é essencial nessa questão”, afirma Renato. A HMY tem 15 fábricas e 92 escritórios comerciais espalhados pelo mundo. A unidade brasileira está instalada em Jundiaí há 20 anos e atende, além dos estados, toda a América Latina. A exportação representa atualmente 20% do faturamento da empresa.

Manoel Fernandes Flores, diretor superintendente da Astra, considera ainda muito cedo para avaliar com mais detalhes o acordo. A empresa importa e exporta. Fundada em 1957, em Jundiaí, tem um portfólio composto por itens voltados para a construção. “Há um longo processo a ser percorrido até sua efetiva concretização. Ainda não se sabe efetivamente os produtos e segmentos em geral que serão impactados, mas, num primeiro momento, o agronegócio deverá ser o setor mais beneficiado. É importante no incentivo para que outros segmentos da nossa economia e/ou outros países ou blocos econômicos também possam vir a adotar este tipo de acordo bilateral. Outro ponto importante é que o acordo deve trazer mais isonomia competitiva, já que há uma previsão de redução de custos nos processos de importação e exportação de produtos entre os países do Mercosul e da União Europeia. Isso faz com que aumente a expectativa de redução do custo Brasil, que hoje é 30% maior que o de países com economias comparáveis à nossa”, salienta Flores.

Vantagens
Marcio Ribeiro, diretor de comércio exterior do Ciesp Jundiaí, considera que o acordo é o movimento mais importante nessa área para o Brasil, nos últimos 20 anos. “Um ponto relevante é a competitividade que as empresas brasileiras vão enfrentar”, afirma o diretor.

Marcio lembra que os acordos internacionais levam tempo para serem ratificados, portanto é um período importante que as empresas brasileiras têm para se adaptar. “Para a região de Jundiaí foi uma das melhores coisas que poderia acontecer. Com esse movimento de novas empresas virem a se instalar no Brasil, em função das vantagens produtivas que terão e pela redução de impostos, não tenho a menor dúvida que a primeira cidade a ser considerada, com exceção da Capital, será Jundiaí, o que nos leva a prever um crescimento intenso da economia nos próximos 15 anos”, considera o diretor.

Segundo Carmelo Paoletti Neto, assessor especial de Cooperação Internacional da Prefeitura de Jundiaí, o acordo é um marco nas relações bilaterais, trazendo muitas vantagens tarifárias e de regulação. “Temos três pilares a destacar. O acordo contempla o diálogo político, a cooperação e o livre comércio. Em Jundiaí, temos um volume de importação da ordem de 2 bilhões de dólares anuais, enquanto o volume de exportação fica em torno de 800 milhões de dólares”, afirma o assessor, destacando o trabalho permanente e efetivo no sentido de incrementar a exportação, com um programa voltado especialmente às médias e pequenas empresas. Carmelo também ressalta que a agroindústria está entre os setores mais beneficiados, o que trará boas oportunidades de negócios.


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