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Balança comercial registra superávit de US$ 46,7 bilhões

Folhapress | 02/01/2020 | 19:48

Por causa de uma queda mais acentuada nas exportações, a balança comercial brasileira fechou o ano passado com superávit de US$ 46,7 bilhões. Esse é o pior resultado desde 2015, quando o saldo foi de US$ 19,5 bilhões. Em relação a 2018, quando foi registrado um superávit de US$ 58 bilhões, o resultado do comércio internacional brasileiro apresentou um recuo de quase 20%.

A queda é explicada, principalmente, pelo desempenho das exportações, que caíram 7,5% para US$ 224 bilhões. As importações diminuíram, mas em proporção menor. A redução foi de 3,3%, chegando a US$ 177,3 bilhões.

Em 2019, as vendas do Brasil para o exterior recuaram mais em relação a produtos manufaturados (-11,1%). Esse resultado, que compacta com o desempenho do ano anterior, foi puxado pelos embarques de plataformas de petróleo, veículos de carga e automóveis.

As exportações de semimanufaturados e de produtos básicos caíram 8% e 2%, respectivamente. Dados divulgados pelo Ministério da Economia nesta quinta-feira (2) também mostraram que, no ano passado, o Brasil vendeu menos para Mercosul, América Central e Caribe, União Europeia, África e Ásia.

As exportações subiram apenas para Oceania, para o Oriente Médio e para os Estados Unidos. O resultado da balança comercial em 2019 ficou em linha com a projeção mais recente do Ministério da Economia, de US$ 41,8 bilhões. O saldo, porém, ficou abaixo da avaliação inicial, divulgada no começo do ano passado, de US$ 56,7 bilhões.

Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, o desempenho foi influenciado pelo baixo dinamismo da economia global e do comércio mundial, além de fatores conjunturais, como a crise na Argentina e a febre suína na China, que reduziu as vendas de soja.

O governo ainda não divulgou projeções para a balança comercial de 2020. Isso deve ser feito apenas em abril. As perspectivas da equipe econômica, contudo, apontam para um cenário externo fraco e o aquecimento da economia interna.

“É natural que a gente espere um crescimento maior das importações do que das exportações”, disse Ferraz. Assim, o saldo do comércio internacional do Brasil tende a recuar.

Ferraz espera ainda que a carne, cuja exportação avançou no fim de 2019, apresente uma demanda forte nos próximos meses, mantendo os preços elevados para o produto.

Para tentar minimizar o resultado da balança comercial no ano passado, o governo argumentou que os Estados Unidos registram déficit comercial há décadas, mesmo sendo uma das principais economias do mundo.


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