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Bolsas ameniza queda após ameaça de Trump

FOLHAPRESS | 07/05/2019 | 08:00

Após sinalizar que estava próximo a um acordo comercial com a China, o presidente americano Donald Trump afirmou no domingo (5) que irá elevar tarifas sobre produtos chineses. Nesta segunda-feira (6), os mercados globais reagiram de forma negativa à declaração.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu quase 6% -maior perda desde 2016. O S&P 500, índice que reúne as maiores companhias americanas listadas, chegou a recuar 1,6% durante o pregão, mas amenizou a queda e fechou em 0,45% com a interpretação de investidores de que se tratava de um blefe de Trump para acelerar as negociações. No Brasil, a Bolsa acompanhou o viés negativo e recuou 1%.

As negociações entre Estados Unidos e China para cessar a guerra comercial iniciada no ano passado estavam prestes a ser concluídas. No entanto, Trump declarou que, a partir desta sexta (10), US$ 200 bilhões de bens chineses importados serão tarifados em 25%. Hoje, esta tarifa é de 10%.

Segundo o presidente, US$ 325 bilhões de outros bens que não são taxados, passarão, em breve, a ter a mesma alíquota de 25%. “O acordo comercial com a China continua, mas devagar demais, já que eles tentam renegociar. Não!”, tuitou o presidente no domingo.

Para Roberto Prado, economista do Itaú Unibanco, caso se concretize, o aumento de tarifas pode representar uma queda de 0,4% no crescimento da economia global, com desaceleração do crescimento. “Estas tarifas diminuíram em 0,5% o PIB (Produto Interno Bruto) chinês, que hoje projetamos em 6,3% para 2019. Nos EUA, a medida afetaria 0,25% do PIB, que projetamos em 2,6%”

O economista, no entanto, não acredita que a promessa do presidente se concretize. “Este aumento de tarifas poderia trazer uma recessão antes da eleição, o que afeta a popularidade do presidente, diminuindo sua chance de reeleição. É menos provável que ele queira arriscar isso”, afirma.

O Itaú Unibanco trabalha, inclusive, com a premissa oposta. “Temos a expectativa de que o governo americano vai retirar os 10% de tarifas sobre os US$ 200 bilhões em produtos, o que seria benéfico para os dois países. China também deve reduzir tarifas e importaria mais bens americanos”, diz Prado.

Receosos a uma falta de acordo, os mercados globais recuaram. CSI300 caiu 5,84%. A bolsa de Hong Kong recuou 2,9%. Mais céticos quanto ao discurso de Trump, as Bolsas americanas amenizaram a queda. Dow Jones perdeu 0,25%. S&P 500, 0,45% e Nasdaq, 0,5%

O Ibovespa, maior índice acionário do país, acompanhou o viés negativo e teve queda de 1,04%, a 95 mil pontos. O giro financeiro foi de R$ 9,7 bilhões, abaixo da média diária para o ano. “A guerra comercial com a China uma disputa que afeta a economia global como um todo. Isso chega no Brasil por duas maneiras: o mundo vai crescer menos e comprar menos commodities e o mercado financeiro vai ter menos fluxo para emergentes, com maior aversão ao risco”, afirma Thales Caramella, economista do Itaú Unibanco.

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