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Brasil pode perder investimentos árabes com embaixada em Jerusalém

FOLHAPRESS | 03/11/2018 | 11:57

A mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém pode “riscar” as relações comercias entre o Brasil e os países árabes, de acordo com o Rubens Hannun, presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. Juntos, os países árabes são o segundo maior comprador de proteína animal brasileira. Em 2017, as exportações somaram US$ 13,5 bilhões e o superávit para o Brasil foi de US$ 7,17 bilhões. Para Hannun, a mudança da embaixada pode abrir as portas para países concorrentes como Turquia, Austrália e Argentina.

Já tivemos ruídos com a [Operação] Carne Fraca e com a paralisação dos caminhoneiros, mas conseguimos superar. Temos a fidelidade dos países árabes”, afirma. Para Hannun, porém, a questão da embaixada é algo muito mais forte e sensível. Além do risco de perda nas vendas, Hannun afirma que o país pode deixar de receber investimentos em infraestrutura dos países árabes. O mal-estar gerado pelo alinhamento do governo Bolsonaro à decisão de Israel de mudar a capital de Tel Aviv para Jerusalém, segundo o presidente da câmara de comércio, pode espantar os planos árabes para o Brasil.

Em entrevista a jornal israelense, Bolsonaro afirmou que “Israel é um Estado soberano. Vocês decidem que é sua capital e nós vamos segui-los”, afirmou. Hannun afirma que pretende apresentar um estudo ao novo governo com os projetos de investimento da Liga Árabe no país. “Cerca de 40% dos fundos soberanos estão nesses países e eles já demonstraram interesse em investir em infraestrutura no país, como estradas, ferrovias e elétricas. São planos futuros que podem ser cortados”, diz.

O setor de infraestrutura já é um dos pontos prioritários do novo governo. Segundo assessores, as primeiras obras a serem tocadas devem ser a conclusão da BR 163 -que o agronegócio quer pronta rapidamente por ser a principal via de escoamento da safra do Centro-Oeste– e a concessão de ferrovias para a iniciativa privada, para que possam se conectar a portos, caso da Ferrovia Norte-Sul, Fiol, Ferrogrão e Fico. O governo ainda discute a criação de um superministério de Infraestrutura.

Foto: reprodução/internet

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