Economia

Brasil vai demorar até 10 anos para rever investimento

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco, sinalizou que o Brasil só recuperará a nota de crédito que tinha pré-crise no médio e longo prazo. Entre 2008 e 2014, o Brasil recebeu da agência o chamado grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador dado a países que têm economias e contas públicas ajustadas. Atualmente, pelos critérios da Fitch, o Brasil está três degraus abaixo do grau de investimento, classificado na categoria grau especulativo, com a nota BB-. Segundo a diretora sênior de ratings soberanos das Américas da agência, Shelly Shetty, ainda que a média de recuperação dessa nota seja de seis anos, não é uma regra. "Países como a Colômbia e o Uruguai, por exemplo, demoraram de 10 a 11 anos para recuperarem o grau de crédito", disse em evento promovido nesta quinta-feira (6). A última atualização da nota de crédito brasileira pela Fitch foi em novembro de 2019, quando a agência confirmou uma nota BB- com perspectiva estável. Segundo a executiva, mesmo com a sinalização de que a atividade econômica do país deva ser melhor em 2020, ainda existem pontos que preocupam, como o desafio de aprovação das reformas em ano eleitoral e a confiança empresarial e do consumo. "Existem riscos políticos e riscos sobre a capacidade de aprovar as reformas. Estaremos olhando para isso e para o processo de consolidação fiscal e procurando sinais que nos deixem mais confiantes de que a dívida (PÚBLICA) brasileira vai se estabilizar no médio prazo", afirmou. Shetty elogiou a posição cambial e o atual patamar de juros no Brasil -reduzido para 4,25% ao ano na última reunião do Copom nesta quarta (5)-, mas afirmou que o país ainda caminha para uma relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) alta até 2022. A projeção da Fitch para o crescimento da atividade econômica é de 2,2% para este ano. As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) reduziram a estimativa para a inflação este ano. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA – a inflação oficial do país – caiu de 3,47% para 3,40%.

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