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Com queda da taxa Selic, bancos reduzem o custo do crédito

NIZA SOUZA - csouza@jj.com.br | 23/03/2018 | 04:58

A notícia da redução da taxa Selic de 6,75% para 6,5% ao ano, anunciada na quarta-feira pelo Copom (Comitê de Política Monetária), foi recebida positivamente, mas com cautela, pelos diversos setores da economia. Na prática, para o consumidor, o principal reflexo deve vir dos bancos, que já sinalizam reduzir também o custo do crédito. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os bancos têm aproveitado a queda da Selic para reduzir também o custo do crédito ao consumidor, em alguns casos com cortes bem superiores nas taxas cobradas dos clientes. As taxas de juros médias cobradas em empréstimos dos bancos para pessoas físicas com recursos livres (em que os bancos não são obrigados a dar destinação específica para os recursos captados no mercado) caíram, em média, 10,65 pontos percentuais a mais que a Selic nos 12 meses entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018.

Nos empréstimos a pessoas jurídicas, em que ainda registram índices elevados de inadimplência, o corte ficou próximo ao da Selic: 6,4 pontos percentuais. No mesmo período, a taxa Selic caiu 6,75 pontos percentuais, de 13,75 ao ano para 7 ao ano. Na avaliação do presidente do Sincomercio Jundiaí, Edison Maltoni, a redução dos juros cobrados pelos bancos, para pessoas físicas e jurídicas, deve impulsionar o consumo, além de fazer com que o empresário consiga investir no seu negócio, pois as pessoas poderão fazer empréstimo com juros menores. “A tendência é, aos poucos, de melhora na economia como um todo e isso deve se refletir já nos próximos meses”, acredita. Maltoni pondera, entretanto, que, apesar de a redução da Selic ser uma decisão acertada, o Brasil ainda está longe de atingir níveis invejáveis, como ocorre nos Estados Unidos e na Europa, onde a taxa de juros é abaixo de 2% ao ano. “Mas este patamar de 6,5% no Brasil já traz um certo alívio, principalmente neste momento de recuperação econômica”, diz.

Diretor-titular da Ciesp Jundiaí, Marcelo Cereser, frisa que com essa redução o Brasil deixa de ser o campeão dos juros primários. “Mas ainda é a sexta maior taxa de juros do mundo, muito longe dos padrões internacionais”, lamenta. “De qualquer forma, todo movimento de queda é importante. Para a indústria, isso reflete na volta dos investimentos e no capital de giro.” Desde outubro de 2016, a Selic caiu 7,75 pontos percentuais, variando de 14,25% ao ano para 6,5% ao ano. Essa foi a décima segunda redução na Selic, que renova seu menor nível da história. O Copom também indicou mais um corte “moderado” na próxima reunião. Com isso, economistas já veem o juro básico em 6,25% em maio.


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