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Crise ajuda função de luthier resistir ao tempo

Kátia Appolinário | 08/07/2018 | 15:02

O alto valor dos instrumentos musicais tem enfraquecido as vendas até mesmo nas lojas de artigos usados. Segundo um levantamento realizado pela Associação Nacional da Indústria da Música, houve uma queda de 80% nas vendas nos últimos cinco anos. Em parte, isso se deve às importações, pois 90% dos itens do mercado não são produzidos no Brasil.

Diante desse cenário, o trabalho artesanal realizado nas oficinas de manutenção tem ganhado espaço, como os “luthiers”, profissionais especializados na construção e no reparo de instrumentos musicais de corda. Pouco conhecida, a profissão é hoje uma atividade quase extinta, mas no passado, já foi um ofício passado de geração a geração.

Aos 46 anos, Renato Rodrigues já esteve dos dois lados da história e reconhece que o mercado musical não é barato. Além de guitarrista, desde 1989 ele exerce a função de luthier, e afirma que optar pelo conserto é uma boa saída para quem deseja economizar. “Muita gente acaba dando preferência para fazer ajustes e ficar mais tempo com o instrumento que já tem. Optando pelo conserto de uma guitarra, por exemplo, é possível ter uma economia de até mil reais”, afirma Renato.

Muito conhecido entre o público jundiaiense, o cantor Rudy, que há 30 anos atua no cenário musical, conta que confia o conserto de seus sete violões ao luthier Renato. “Em 2007, quando fui para os Estados Unidos, eu adquiri um violão Gibson SJ-200, que é semelhante ao do Elvis Presley, e quando voltei para o Brasil, fiz questão de encontrar um bom profissional para fazer os devidos ajustes”, conta o músico, que se recusa a trocar Renato por outro luthier.

Bruno D’Almora, de 29 anos, também é músico e apoia o trabalho dos luthiers. “Aqui no Brasil temos impostos muito altos na venda dos instrumentos musicais, mas também temos uma ótima matéria-prima e ótimos profissionais na área do reparo”, ressalta Bruno, que vê os altos preços do mercado como um entrave. “Por isso, a gente preza pelo bom trato dos instrumentos”. Todo esse esmero é importante, pois para um músico seu instrumento é um item que faz parte de sua trajetória. “Tem um valor sentimental sim, e é quase como um filho que a gente trata com um carinho especial”, compara Rudy.

Para que o instrumento tenha uma vida longa, o luthier destaca que é preciso fazer manutenções regulares. “Realizar a limpeza com pano de algodão, armazenar em local seco e arejado e conferir a regulagem são alguns cuidados a serem tomados”, orienta Renato, frisando que todo problema pode ser consertado.

Foto: Divulgação

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