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Depois de dois trimestres de queda, investimentos voltam a subir

FOLHAPRESS | 29/08/2019 | 18:55

Após dois trimestres de queda, os investimentos na economia brasileira voltaram a crescer. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a alta no segundo trimestre foi de 3,2% em relação ao trimestre anterior.

No segundo trimestre de 2019, o PIB brasileiro avançou 0,4%, na comparação com o trimestre anterior.

A recuperação do investimento é vista como principal caminho para a retomada do crescimento da economia brasileira. Segundo o IBGE, o crescimento foi provocado pela alta na produção interna de bens de capital.
Na comparação com o segundo trimestre de 2018, o investimento cresceu 5,2%. Em quatro trimestres, acumula alta de 4,3%.

Especialistas, porém, recomendam cautela na análise dos números. “Uma alta do investimento desse nível era esperada, está dentro do padrão de volatilidade do indicador. Não representa ainda uma mudança de patamar, que ainda permanece muito baixo”, diz Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco.

Embora tenha atingido seu maior nível desde o fim de 2015, o investimento permanece 5,1% abaixo do registrado no terceiro trimestre daquele ano, quando a economia já estava em recessão.

A chamada FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), que sinaliza a taxa de investimento na economia, teve leve aumento passando para 15,9% do PIB, contra 15,3% no mesmo período de 2018.

Ainda que melhor, o desempenho da FBCF no segundo trimestre deste ano ainda está 26,2% abaixo do seu pico histórico das últimas duas décadas, alcançado no segundo trimestre de 2013, anterior à recessão iniciada em 2014.

Em relação a outros países emergentes, a fraqueza do investimento brasileiro também se destaca. Medido como proporção do PIB, o indicador do país atingiu 15,9% entre abril e junho deste ano.

O resultado é apenas um pouco melhor que os 15,4% registrados em 2018, que colocavam o país na 166ª posição, em uma lista de 172 nações para as quais o FMI (Fundo Monetário Internacional) possui dados.

O investimento é normalmente o principal motor do crescimento de economias que ainda precisam atingir nível mais elevado de desenvolvimento. Chama a atenção, portanto, que a taxa do país seja tão inferior à de outros emergentes como China (44,2%), Índia (31,6%), Chile (22,7%) e México (23%).

Até na comparação com países desenvolvidos – que, por possuírem economias mais sofisticadas e alta renda per capita, dependem menos de investimentos -, o Brasil tem perdido nos últimos anos.

Em 2018, a taxa de investimentos nos Estados Unidos, no Japão e na Coreia era de, respectivamente, 21,1%, 24,4% e 30,2%.

O IBGE destacou que a retomada do investimento no segundo trimestre teve forte impacto da construção civil, que responde por cerca de metade do investimento.

O setor teve crescimento de 1,9% em relação ao trimestre anterior, interrompendo uma série de 20 trimestres consecutivos de queda. Na comparação com o mesmo período de 2018, a alta é de 2%.

O desempenho reflete principalmente a melhora no mercado imobiliário. “É puxado não pela infraestrutura, mas pela parte de construção de imóveis”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

“É o crédito, a renda melhorando um pouco e o déficit habitacional que a gente sempre tem”, analisou. Ela frisou, porém, que a alta se dá sobre uma base de comparação achatada, diante do mau desempenho do setor nos últimos anos.

Não como assegurar, porém, que o desempenho se manterá ao longo dos próximos meses.

O resultado geral da indústria (que engloba a construção) fechou o trimestre com alta de 0,7% , com maior produção de bens de capital e reposição de estoques, segundo a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Cláudia Dionísio.

A indústria de transformação teve alta de 2% no trimestre, em comparação com os primeiros três meses do ano. Na comparação anual, a alta foi de 1,6%. Nessa base de comparação, os destaques positivos foram produtos de metal, máquinas e equipamentos, produtos químicos, bebidas, metalurgia, entre outros.

“A indústria da transformação como um todo foi bem positivo. Os níveis de confiança dos empresários estão levemente melhores, apesar de estarem em patamares bem abaixo do histórico. Teve também um processo de ‘desestoque’ no fim do ano passado, que pode estar sendo recomposto.”

O setor industrial ainda sofre pressão negativa da indústria extrativa, que recuou 3,8% em relação ao primeiro trimestre, ainda impactada pela suspensão de operações da Vale após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

Na comparação com o mesmo período de 2018, a queda da indústria extrativa é de 9,4%,

“Se não fosse o desempenho da extrativa, a gente estaria com uma indústria bem melhor”, comentou Dionísio.

A extrativa teve contribuição negativa de 0,3 ponto percentual no PIB do segundo trimestre, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

Já a agropecuária manteve o ritmo de retração e registrou queda de 0,4% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o setor cresceu 0,4%.

 


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