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Dólar bate recorde na era do Plano Real e chega a R$ 4,26

FOLHAPRESS | 26/11/2019 | 11:16

O dólar mantém a trajetória de alta nesta terça-feira (26), sendo negociado acima de R$ 4,26 e batendo nova máxima. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou não estar preocupado com o novo recorde de cotação do dólar,  e acrescentou que é bom o país se acostumar com o elevado patamar da moeda estrangeira ainda por um bom tempo.

Na avaliação de Guedes, a alta do dólar é reflexo de uma mudança na política econômica brasileira, com juros mais baixos e câmbio de equilíbrio alto, que ainda não foi compreendida pela maior parte da população.
Segundo o ministro, a principal consequência do câmbio flutuante hoje será o aumento das importações e a queda das exportações brasileiras.

“O dólar está alto. Qual o problema? Zero. Nem inflação ele [dólar alto] está causando. Vamos importar um pouco mais e exportar um pouco menos”, afirmou o ministro nesta segunda em Washington. “É bom se acostumar com juros mais baixos por um bom tempo e com o câmbio mais alto por um bom tempo.”

O recorde anterior era de ontem (25), quando a cotação do dólar subiu 0,50% e fechou a R$ 4,2150, novo recorde nominal desde a criação do Plano Real.

Para Guedes, é “normal” que países que tenham maior controle fiscal exerçam uma política monetária mais frouxa e, consequentemente, enfrentem um câmbio de equilíbrio alto, o que, na sua avaliação, vai gerar movimento interessante para a volta do investimento no país.

Os investidores estrangeiros têm adiado suas apostas no Brasil porque, apesar do discurso de reformas do governo, que agrada ao mercado financeiro, ainda não houve reflexos nos índices de crescimento do país. Este ano, o PIB (Produto Interno Bruto) ficou abaixo de 1% e a previsão para 2020 é 2%.

Questionado se o aumento constante da cotação da moeda estrangeira é confortável para o Brasil, Guedes respondeu que “quem vai responder isso será a economia.”

Em termos reais, corrigidos pela inflação, o maior valor do dólar é de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.

No exterior, o viés é positivo para as principais Bolsas globais. Nesta segunda (23), o Global Times, tabloide comandado pelo oficial People’s Daily, do Partido Comunista chinês, afirmou que China e Estados Unidos estão muito próximos da “fase um” de um acordo comercial.

O veículo acrescentou que a China também permanece comprometida em continuar as negociações para a fase dois e mesmo a fase três de um acordo com os EUA, citando especialistas próximos do governo chinês.

No entanto, o otimismo comercial foi ofuscado no Brasil pelo anúncio de déficit em transações correntes de US$ 7,9 bilhões (R$ 33,3 bilhões) em outubro, pior resultado para o mês desde 2014. Somando os últimos 12 meses, há um saldo negativo equivalente a 3% do PIB (Produto Interno Bruto).

O dado veio pior que a expectativa de analistas consultados pela agência de notícias Reuters, de rombo de US$ 5,475 bilhões. No mês, os investimentos diretos no país somaram US$ 6,8 bilhões, também abaixo da projeção de analistas de US$ 7,5 bilhões.

O déficit levou o real a ser a terceira moeda que mais se desvalorizou na sessão dentre emergentes, atrás apenas da lira turca e do florim húngaro. A Bolsa brasileira também caiu, com recuo de 0,25%, a 108.423 pontos.

Mesmo com o dólar em torno de recordes históricos, o Banco Central não pretende intervir diretamente no câmbio. Nesta segunda, a autoridade monetária vendeu todos os 15.700 contratos de swap cambial tradicional em rolagem do vencimento janeiro 2020, mas não aceitou propostas em leilão de dólar à vista e de swap cambial reverso.

A autarquia ainda fez a rolagem integral de US$ 1,5 bilhão em linha de moeda com compromisso de recompra, volume que até então precisaria voltar ao BC no começo de dezembro.

Fora o déficit em transações correntes, a balança comercial brasileira caminha para fechar novembro no vermelho, o que não acontecia desde novembro de 2014, quando houve déficit de US$ 2,432 bilhões.

Até agora, novembro deste ano tem um saldo negativo de US$ 1,099 bilhão, conforme dados divulgados pelo Ministério da Economia nesta segunda.

Em nota, o Ministério informou que no acumulado do mês de novembro, as exportações caíram 38,4% sobre igual etapa do ano passado, com recuo de dois dígitos em todas as categorias. Já as importações sofreram uma redução de 14,8% sobre o mesmo período do ano passado.

Na ponta das exportações, o Brasil tem visto um resultado mais fraco em meio à desaceleração do crescimento global, a um cenário de tensões comerciais entre China e Estados Unidos e à crise econômica na Argentina.

Também nesta segunda, o boletim Focus do Banco Central apontou que o mercado prevê uma inflação maior este ano. Em relação ao boletim da semana passada, o IPCA foi de 3,33% para 3,46%.

Analistas do mercado creditam a mudança a alta do dólar. Segundo o Focus, 2019 deve acabar com o dólar a R$ 4,10, contra os R$ 4 previstos na semana anterior, antes da cotação ultrapassar os R$ 4,20.


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