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Dólar fecha perto dos R$ 3,90 e Bolsa dispara após pesquisa

FOLHAPRESS | 02/10/2018 | 20:40

O mercado financeiro começa a colocar em suas projeções e no preço dos ativos a possibilidade de Jair Bolsonaro (PSL) vencer a corrida presidencial ainda no primeiro turno, o que derrubou o dólar em mais de 2% e levou a Bolsa a disparar nesta terça-feira (2). A moeda americana recuou 2,09% para R$ 3,9350, no menor patamar desde 17 de agosto – na mínima, a moeda chegou a ser negociada a R$ 3,9060. Apenas três divisas emergentes avançaram sobre o dólar nesta terça: o peso argentino, o real e o iene.

A reação eufórica e descolada do exterior reflete a pesquisa Ibope divulgada na segunda, após o fechamento do mercado. O levantamento mostrou crescimento da vantagem de Bolsonaro sobre o segundo colocado, Fernando Haddad. Segundo o Ibope, Bolsonaro avançou para 31% das intenções de voto, enquanto o petista ficou estagnado em 21%. Em um segundo turno, os dois voltaram a aparecer empatados com 42% das intenções de votos. Além disso, a rejeição a Haddad disparou.

“Muitos analistas esperavam que as intenções de voto de Bolsonaro fossem afetadas depois dos protestos contra o candidato no final de semana”, escreveu Tony Volpon, economista-chefe do banco UBS em relatório. “A pesquisa surpreendeu porque Bolsonaro estava perdendo tração. Ele apanhou a semana inteira na imprensa, dos adversários e aí chega na pesquisa e abre 4 pontos, e Haddad fica estagnado”, diz Victor Candido, economista-chefe da corretora Guide. A disparada de Bolsonaro fez o mercado começar a colocar em suas projeções a possibilidade de a eleição se encerrar ainda no primeiro turno.

Bolsonaro é considerado um candidato mais inclinado que Haddad a promover as reformas que o mercado considera necessárias para a recuperação da economia. A visão dos investidores locais permanece mesmo com as indicações de instituições do mercado contra o capitão reformado.

Nesta segunda, a agência de classificação de risco Standard&Poor’s disse que Bolsonaro representava um risco maior à agenda econômica do mercado do que Haddad. Semanas antes, a revista The Economist, conhecida por seu viés liberal, também apontou riscos sobre uma eventual presidência de Bolsonaro.

“O mercado interno torceu nariz [para a Economist e a S&P]. A reação é de que esses caras não conhecem o Brasil”, afirma Candido. “Não importa muito se ele [BOLSONARO]é ou não reformista, se ele se rendeu ou não ao liberalismo. Ele é percebido com reformista. Isso combinado a outra narrativa de tudo menos o PT”, acrescenta Felipe Miranda, economista e estrategista-chefe da Empiricus.

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