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Enquanto não são autorizados a abrir, bares lutam para sobreviver

Márcia Mazzei | 10/06/2020 | 10:00

Na levada do isolamento na pandemia pelo coronavírus, um dos segmentos comerciais mais afetados pela crise foram os bares e restaurantes. Mesmo com a retomada gradual das atividades econômicas, estes estabelecimentos seguem fechados em um primeiro momento podendo operar, apenas, com serviços de retirada e delivery.

Em Jundiaí, a restrição ao funcionamento tem deixado alguns estabelecimentos à beira do abismo, em especial os tradicionais instaladas pelos bairros. Localizado na região da Vila Rami, o Bar do Camarão se enquadra nesta categoria.

O proprietário, Adilson Felipe, mantém o estabelecimento aberto graças a colaboração dos amigos que ainda buscam porções, entregues de segunda a sexta-feira. “Claro que não é a mesma coisa. O que eu vendo não custeia os gastos do bar, da minha casa e portanto não me traz lucro algum”, revela lembrando que desde que os bares fecharam, Camarão contabiliza um prejuízo de 90%.

Para os frequentadores assíduos do bar, a notícia não é muito boa. Camarão não descarta a possibilidade de encerrar suas atividades se no próximo decreto do governo estadual os bares não forem incluídos na categoria de flexibilização. “Estou tentando de todas as formas não fechar o bar, mas a situação é mesmo muito difícil. O empréstimo que seria uma saída é cheio de burocracia”, lamenta,

Camarão não está sozinho nessa baixa maré. Segundo dados da Associação Nacional de Bares e Restaurantes (Abrasel), cerca de 20% do setor (aproximadamente 50 mil estabelecimentos) faliu no estado de São Paulo. O órgão estima que se não houver nenhuma medida de amparo aos negócios desse segmento, durante o mês de junho fecharão, em média, 1.650 estabelecimentos por dia o que pode afetar cerca de 10 mil trabalhadores e 3.300 empresários do setor.

Hildon Costa, dono do Boteco da 9, luta para não fazer parte desta estatística, mas reconhece que o impacto foi grande e a queda do faturamento chegou a 90%. “Eu até adotei em caráter emergencial o delivery de lanches e porções, mas não funcionou. Boteco é presencial. As pessoas querem chegar, sentar, tomar uma cerveja, curtir uma música”, descreve.

Para ele, os bares já poderiam estar no grupo da flexibilização, mas falta mobilização. “Não temos um sindicato que represente a categoria, que defenda os nossos direitos. Daí, nos resta esperar e contabilizar o prejuízo que só aumenta”.

No Pé na Jaca, no Anhangabaú, o cenário não é diferente. Portas fechadas, cadeiras para cima e nada de drinques. Segundo a proprietária, Solange Cristina Derti, o faturamento foi zero, desde que o estabelecimento fechou. “A situação está difícil, mas não pensamos em fechar. Só acho que o governo deveria ser mais enfático nas medidas de prevenção ao coronavírus e menos na autopromoção. Só assim, tudo voltará logo ao normal”.

 

Adilson Felipe, o Camarão, se desdobra para evitar o fechamento de um dos bares mais tradicionais de Jundiaí


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