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Especialistas dividem opiniões sobre o impacto da Copa na economia

VINICIUS SCARTON | 02/07/2018 | 05:00

Especialistas dividem opiniões sobre o impacto da Copa do Mundo na economia do Brasil e também da cidade. Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas e Sincomercio Jundiaí e Região, Edison Maltoni, sem dúvida nenhuma o Mundial movimenta a economia do País, surtindo efeito positivo no comércio em relação à venda de artigos alusivos. “Não fizemos uma pesquisa específica sobre o incremento nas vendas, mas sabemos que há um crescimento não tão expressivo, pelo fato de a Copa ser na Rússia. O comércio de Jundiaí está vestido de verde e amarelo, oferecendo várias opções de artigos para os consumidores”, afirma.

Maltoni complementa ressaltando que, em relação ao mercado, é natural que haja reflexo, se o Brasil perder ou ganhar a competição. “Afinal, é um jogo e estamos na torcida para que a seleção ultrapasse as oitavas de final e os comércios continuem a faturar”, comenta.
Já para o diretor de comércio exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Jundiaí), Marcio Ribeiro Julio, a Copa do Mundo deste ano está mexendo menos com a economia, em relação as outras edições. “Noto que o fator político tem se mostrado muito mais importante do que o Mundial em si. As pessoas estão mais preocupadas com assuntos relacionados ao país, como: desemprego, retomada da economia e o cenário eleitoral”, diz.

Sobre o setor industrial, Julio ressalta que a Copa do Mundo de 2018 tem um efeito menor, comparada com a edição passada. “A vitória ou a derrota não refletirão em nada, pois hoje enfrentamos uma crise muito diferente do cenário de 2014, além do fato do evento não ser realizado no Brasil”, opina. Segundo o diretor do Ciesp, a maioria das indústrias trabalha em esquema de compensação e banco de horas. “Estes procedimentos não afetam o funcionamento e nem a produção”, explica.

O economista Messias Mercadante afirma que a realização da Copa do Mundo na Rússia não modifica a economia brasileira. “Nem se o Brasil for campeão terá influência. O que poderá acontecer é uma melhora do astral dos consumidores e torcedores”, descreve.
Para ele, independentemente do resultado, a realidade econômica do Brasil não terá alterações. “O país seguirá com desemprego, subemprego e insegurança em relação ao futuro”, elenca.

Segundo Mercadante, em meio a Copa do Mundo, a atividade econômica sente um pequeno prejuízo nos jogos do Brasil. “No entanto, as empresas estão tentando equalizar essa questão, parando o mínimo necessário, para não interferir na atividade econômica. Tal cenário é observado em todo o Brasil, assim como em Jundiaí”, avalia.

LEVANTAMENTO

Uma empresa que atua no ramo de cartões de crédito realizou um levantamento sobre o impacto de consumo no varejo durante os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo, em relação aos dias comuns e o segmento de panificação chamou atenção no segundo duelo, realizado no dia 22 de junho, diante da Costa Rica. Das 8h às 9h, a variação para uma data normal teve uma alta de 7,1%.

Exemplo deste cenário pode ser exemplificado pelo proprietário de um empório em Jundiaí, Marcelo Gonçalves (45). Segundo ele, a procura por cervejas, refrigerantes e pães teve aumento de 50% durante os jogos do Brasil no Mundial, comparado aos dias normais de funcionamento. “Para segunda-feira (2), a seleção estará em campo novamente e enfrentará o México às 11h e por aqui estarei preparado para atender a demanda dos clientes”, comenta com otimismo.

AÇÕES

Um artigo acadêmico de Alex Edmans, Diego Garcia e Oyvind Norli estima o efeito de resultados de jogos de seleções (incluindo a Copa do Mundo) nas Bolsas de Valores, com base em informações de mais de 30 países. Em média, a Bolsa de um país cai fortemente no dia seguinte a uma derrota da respectiva seleção, diferente das vitórias que não têm nenhum efeito significativo, pois segundo o texto, as decepções mexem muito mais com o comportamento dos indivíduos do que alegrias.

Marcelo Gonçalves já está otimista para comercializar os seus produtos na próxima segunda-feira (2) | Foto: Alexandre Martins

Marcelo Gonçalves já está otimista para comercializar os seus produtos na próxima segunda-feira (2) | Foto: Alexandre Martins


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