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Experiência a serviço de quem precisa

| 07/10/2014 | 21:36

Transformar o conhecimento adquirido ao longo de anos de experiência em cargos executivos de empresas privadas ou como donos de seus próprios negócios em uma ferramenta de apoio a entidades do terceiro setor tem sido uma constante na vida de nomes conhecidos do mercado jundiaiense.

O empresário Paulo Costa é um deles. Dono de dois restaurantes em Jundiaí, ele decidiu participar de uma forma mais ativa da discussão sobre políticas públicas em prol da sociedade há cerca de 20 anos, quando viu crianças pedindo dinheiro na porta da unidade que acabara de abrir na cidade. “Eu vi aquilo e decidi que precisava ajudar na resolução do problema. Procurei o CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) para cobrar uma atitude e acabei me envolvendo com a entidade”, conta Costa.

Usando sua experiência como empresário, Costa diz que assim que passou a integrar o CMDCA tentou implantar na entidade a ideia de que ela precisa, da mesma forma que uma empresa privada, privilegiar uma gestão profissional visando, sim, obter lucros. “É necessário criar uma sustentabilidade para a ONG a fim de que os serviços continuem a ser oferecidos. A falta de preocupação com o balanço financeiro da entidade é um erro comum e gravíssimo que precisa ser corrigido”, diz Costa, que atualmente é presidente da Agência de Desenvolvimento Regional de Jundiaí. “Na agência nosso objetivo é discutir políticas públicas integradas em busca de um crescimento sustentável no setor social, econômico e ambiental para toda a Região”, explica.

Foco – Outro diferencial levado pelos empresários às entidades em que atuam como voluntários é a forma como a instituição é gerenciada. É importante enxergar o lucro como algo necessário, até porque é preciso investir frequentemente em melhorias para aprimorar o atendimento, conforme opina José Carlos Rizzieri, um dos diretores da Apae de Jundiaí e empresário do ramo gráfico.

“Desta forma, aumenta-se a credibilidade da ONG frente à sociedade civil e também diante dos próprios funcionários e isso só traz benefícios”, afirma Rizzieri. Ele conta que a Apae faz uma pesquisa de satisfação com os clientes por meio de rede sociais, uma estratégia muito comum em empresas privadas. Desde que passou a contar com a ajuda de empresários em sua administração, a Apae tornou-se uma instituição modelo em todo o Estado, garante o consultor Alberto Mori, atual presidente da entide. “Nosso sistema de gerenciamento é certificado pelo ISO 9000”, diz.

Entre as diferenças de gestão enfrentadas no seu dia a dia como empresário-voluntário, Rizzieri menciona o cuidado que as ONGs precisam ter com a postura dos colaboradores. “Ao contrário de uma empresa particular, em uma entidade beneficente não há um dono e, muitas vezes, os funcionários confundem isso como uma permissão para render menos do que poderia no desempenho de suas funções”, diz, para completar que isso deve ser corrigido. “Aqui (na Apae) nós fazemos reuniões periódicas de avaliação de desempenho e ressaltamos a importância de cumprir as metas estabelecidas”, afirma o diretor.

Ajuda da tecnologia – Quem alega que a vida atribulada é um empecilho para atuar como voluntário tem seu argumento facilmente derrubado pelos empresários ouvidos pela reportagem. Há um consenso entre eles de que é sempre possível encontrar tempo para fazer algo por quem precisa, especialmente se existir prazer nisso. “Além disso, com todas as tecnologias disponíveis hoje em dia, não é preciso ir à entidade todos os dias para ajudar. Dá para resolver muita coisa por telefone e e-mail, por exemplo”, comenta Mori.

Os três compartilham, ainda, da ideia de que o amadorismo persiste nas entidades assistenciais jundiaienses e isso é o principal empecilho para o crescimento. “Um dos segredos do sucesso é sensibilizar a equipe de que é preciso ter comprometimento com a melhoria no atendimento”, afirma o consultor.


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