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Juros do cheque especial e do cartão de crédito voltam a subir

VINICIUS SCARTON | 29/12/2018 | 05:05

O Banco Central divulgou na última quinta-feira (27) que o brasileiro voltou a pagar mais caro pelo cheque especial e o cartão de crédito rotativo em novembro. Os juros médios do cheque especial, que vinham em queda desde março, subiram 5,3 pontos percentuais, passando de 300,4% em outubro para 305,7% no mês passado. Também houve alta na taxa média do cartão de crédito rotativo, de 2,4 pontos percentuais, o que significa uma elevação de 253,2% para 255,6%. Em outubro, a taxa média do cartão havia caído de 259,9%, em setembro, para 253,2%.

Para o economista Marino Mazzei Jr., a elevação na taxa de juros não tem justificativa. “Apesar de termos um nítido início de recuperação econômica, uma redução no nível de desemprego pelas contratações temporárias, o melhor ‘astral’ após um ano muito tenso e até uma redução na inadimplência, os bancos resolveram aumentar os custos das duas linhas de crédito que mais são utilizadas nessa época. E não há como justificar essa atitude. Podem falar que o aumento ‘foi só’ de 2,4% no cartão de crédito e de 5,3% no uso do cheque especial. Mas esses aumentos elevaram o custo do rotativo do cartão de crédito para 255,6% ao ano, ou 11,15% ao mês e o custo do saldo devedor do cheque especial para 305,7% ou 12,38% ao mês”, comenta.

O economista ainda explica que se considerarmos que o custo de captação dos bancos está em 6,5% ao ano pela Taxa SELIC, a diferença (spread) entre o custo de captação e aplicação é enorme. “Esse presente que nos é dado faz com que sejamos mais cuidadosos no uso do cartão, que precisa ter a fatura liquidada integralmente no vencimento, para escapar dessa taxa abusiva que cobram”, diz. Já no caso do cheque especial, Mazzei descreve que manter um saldo devedor é muito caro. “Por isso, temos que evitar ao máximo”, alerta.

Para fugir dessas taxas, o economista lembra que há formas muito mais baratas que o próprio comércio oferece ao consumidor nesta época. “Principalmente a possibilidade de parcelar o valor pelo próprio cartão de crédito, sem encargos. Ou utilizarmos de cheques pré-datados, para serem apresentados em época mais favorável às nossas finanças”, aponta. Para o ano novo, Mazzei destaca que todo cuidado é pouco. “A regra é evitar o uso indevido dessas linhas de crédito”, orienta.

A dona de casa Fátima Pedroso, 56 anos, afirma que excedeu os gastos, por meio do cartão de crédito neste ano. “Portanto, em 2019, pretendo fazer uso do cartão com mais cautela, devido aos juros. A ideia é utilizar o recurso em casos de emergência e também para adquirir remédios, pagar consultas ou exames médicos”, comenta.

O empresário Dalton Peres, 58 anos, também conta que excedeu com os gastos neste ano ao utilizar o cartão de crédito. “O excesso ocorreu por conta da recessão e enfrentei dificuldades para manter o padrão que vinha obtendo. Para 2019, a partir do novo governo tenho a expectativa de conseguir pagar as contas em dia e retomar o padrão de anos anteriores”, diz.

Ainda sobre o uso de cartão de crédito, Peres reforça que não pretende entrar no juros do cartão. “Essa é a minha meta. Lembrando, em tempo, que a intenção é seguir adquirindo roupas, eletrodomésticos, a partir do parcelamento da loja, utilizando o cartão e com pagamento sem juros”, confirma.

Rui Carlos

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