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L‘Oréal se adapta ao Brasil para avançar

| 12/07/2014 | 18:20

Sempre que fala sobre o Brasil, o presidente mundial da L‘Oréal, Jean-Paul Agon, 58, costuma descrever o País como uma espécie de paraíso da diversidade capilar. “As misturas entre povos criaram cabelos únicos no mundo. Há tipos de cabelos que só existem no Brasil, o que torna o País interessante e desafiador”, disse o francês, na sede da companhia em Clichy, no entorno de Paris.

“E cabelo é uma coisa extremamente importante para as brasileiras”, completa. A obsessão das mulheres com o cabelo faz do Brasil o mercado onde a multinacional francesa cresce mais rápido: a receita expandiu-se 13% em 2013 (R$ 2,3 bilhões). No conjunto dos 130 países onde atua, a L‘Oréal faturou € 22,9 bilhões (R$ 69 bilhões), um avanço de 2,28% em 2013.

“O Brasil é nosso sexto mercado, mas no futuro deve se tornar o terceiro ou quarto. Já é o primeiro em coloração e o segundo em cuidados com os cabelos.” A multinacional francesa aposta ainda nos ramos de maquiagem e cosméticos para a pele para fortalecer sua posição no País.

Para isso, criou diferentes canais de distribuição para enfrentar a tradição local de venda direta. No caso dos produtos de pele, a venda se dá em farmácias. A marca Maybelline, de maquiagem, mobilizou o maior investimento na criação de 60 quiosques em shoppings – o Brasil é o único País onde a L‘Oréal vende maquiagem desse jeito.

“Tivemos de inventar essa maneira de vender porque não havia uma rede de distribuição de fato. Durante muito tempo, a maquiagem foi praticamente exclusividade das marcas de venda direta.” Agon diz que o setor de cosméticos, que se expande entre 7% e 8% ao ano no Brasil, está descolado do baixo crescimento do PIB porque está sustentado no aumento da classe média e porque esses produtos têm pouco peso (2,5%) no orçamento familiar.

A expansão do consumo, ele projeta, tem fôlego para prosseguir pelas próximas décadas nos emergentes. A L‘Oréal vai dobrar para 200 o número de pesquisadores de produtos no país até 2016, quando deve entrar em operação o laboratório que a empresa construirá na ilha Bom Jesus (Rio) e que deve ser seu laboratório-piloto em estudos sobre biodiversidade.


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