Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Liberação de FGTS pode alcançar R$ 250 milhões

COLABORAÇÃO DE SOLANGE POLI | 02/06/2019 | 06:00

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na última quinta-feira, dia 30, que, para estimular o reaquecimento da economia, o governo estuda a liberação de recursos dos trabalhadores depositados em contas inativas e ativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), “assim que forem aprovadas as reformas”, entre as quais a da Previdência. Declarou também que a área econômica avalia liberar dinheiro do abono salarial PIS-Pasep para jogar dinheiro no mercado e movimentar a economia.

A medida, ainda não anunciada, deve dar fôlego à economia em recessão. Em Jundiaí, a expectativa é de que a liberação do FGTS alcance aproximadamente R$ 250 milhões.

A estimativa é do economista Mariland Righi, que vê as medidas como soluções paliativas para desafogar a situação econômica, sob os efeitos do desemprego ainda emergente e da queda na renda. “A massa salarial em Jundiaí é de cerca de R$ 1,2 bilhão ao mês.

Essa liberação é um quebra-galho, um paliativo para atenuar a crise, que depende de questões políticas”, analisa, indicando que a melhor saída para quem tem dívidas é dar prioridade à quitação, evitando as elevadas taxas de juros, principalmente do cheque especial e do cartão de crédito. Já para quem está com as contas em dia, a recomendação é ter cautela ao gastar, priorizando o consumo do que for mais necessário.

Para Edison Maltoni, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sincomercio, a notícia é muito bem-vinda por estimular de antemão o aumento no consumo. “O comércio precisa disso, pois vemos uma recuperação lenta da economia.

O pagamento das dívidas, que garanta o nome limpo ao consumidor, é essencial e aumenta a possibilidade de vendas. Com a efetivação dessas medidas, vamos fazer campanhas incentivando que o dinheiro troque de mão, do consumidor para o comerciante e assim por diante, para que a roda continue girando”, avalia.

SEVERIDADE DA CRISE
Segundo José Antonio Parimoschi, gestor de Governo e Finanças da Prefeitura de Jundiaí, se a medida for confirmada pelo Ministério da Economia, a injeção de recursos advindos das contas ativas do FGTS e do PIS PASEP pode ajudar a movimentar a economia, que se encontra estagnada, “especialmente pela indefinição dos rumos das reformas estruturais que o país precisa aprovar para sair da pior crise econômica dos últimos tempos. Melhor do que nada, se não for mais um balão de ensaio do governo federal”, comenta.

Parimoschi lembra ainda que no final do governo passado houve a liberação das contas inativas do FGTS, o que ajudou a irrigar, naquele momento, mais recursos na economia do país. “Porém, dada a severidade da crise, neste momento, essa medida isolada não garante a retomada do crescimento sustentável da economia do país.

É preciso aprovar a reforma da previdência e já dar início a uma agenda positiva que sustente o desenvolvimento na próxima década, impulsionada por investimentos produtivos, em educação de base e profissionalizante, tecnologia de ponta e infraestrutura, e trabalhar pela redução dos níveis de desemprego, diga-se de passagem os mais altos dos últimos anos”, afirma o gestor.

ANÚNCIOS
Paulo Guedes falou sobre essas intenções no dia em que foi anunciada uma retração do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano. Ele afirmou que os anúncios das medidas devem ser feitos nas próximas “três, quatro semanas”.

Em 2017, as retiradas das contas inativas do FGTS somaram R$ 44 bilhões. Dentro do próprio governo, o saque de dinheiro das contas do FGTS preocupa pelos efeitos sobre a construção civil. Na semana passada, o secretário de Produtividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, já declarou temer que a liberação possa afetar o financiamento da construção civil já em 2020.


Leia mais sobre
Link original: https://www.jj.com.br/economia/liberacao-de-fgts-pode-alcancar-r-250-milhoes/
Desenvolvido por CIJUN