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Mercado de luxo ganha força e exige uma Jundiaí para a classe A

| 26/05/2014 | 00:15

Nas próximas duas décadas, Jundiaí será a cidade brasileira com maior crescimento das classes A e B, de acordo com pesquisas. O mercado de luxo começa a se formar e ganhar força no município e entidades representativas do comércio e prefeitura já estão atentas para garantir qualidade e infraestrutura para atender as necessidades de famílias com alto poder aquisitivo.

Ao mesmo tempo em que a cidade tem índices econômicos de fazer inveja e se tornar  alvo tanto de multinacionais  quanto de redes hoteleiras consagradas e, ainda, de grifes voltadas especificamente para a classe A, o caminho é longo para a conquista de itens básicos. Melhorar a infraestrutura, qualificar mão de obra e estabelecimentos – em todos os nichos – são necessidades para  atender aos anseios de quem pode pagar muito bem por qualquer produto ou serviço.

Um mapeamento de mercado feito pela Victor Hugo – marca luxuosa de bolsas e carteiras – apontou Jundiaí como uma das cidades brasileiras com maior potencial para os negócios, isso considerando o momento atual e também o desenvolvimento a curto prazo. Porém, quando a loja foi inaugurada no JundiaíShopping, foi necessário exportar mão de obra da capital, segundo o franqueado da marca, Renato Borghi.

E o problema incluiu ter na equipe vendedores que soubessem falar perfeitamente o português. “Tivemos dificuldades até nisso, mas precisamos, principalmente, de pessoas com bom conhecimento da alta sociedade, que saibam quem é o juiz, quem é o advogado de renome ou aquele médico premiado que está sempre nas colunas sociais”, explica.

O investimento na equipe é imprescindível na opinião do empresário Renato de Toledo Storani – dono da Tchoy Veículos –  revendedora das marcas Mitsubishi (os clientes em média pagam R$ 120 mil por um veículo da marca) e Suzuki -, para se trabalhar com a classe A.

“Escuto faz tempo sobre o crescimento desse público em Jundiaí, mas tudo o que envolve essa classe, por aqui, é ruim. Atende-se mal o consumidor, por exemplo”, pontua, completando: “Jundiaí, eu acho, será como a Moema da capital paulista, mas o que o município oferece para essas famílias?” Para Storani,  não adianta vender um produto premium se o atendimento não for condizente ou se o pós-venda deixar a desejar.

A cara da classe ´A´
Uma butique com conceito arquitetônico encontrado nas lojas das principais capitais internacionais da moda foi o que a Swarovski trouxe para Jundiaí, no JundiaíShopping. De acordo com a diretora da grife no Brasil, Carla Assumpção, além do design, qualidade e excelência no atendimento, o consumidor da classe A busca vivenciar o universo da marca.

“A iluminação é utilizada de maneira mágica e extraordinária, desafiando as facetas dos cristais e refletindo o brilho e a infinita profundidade do cristal. No mundo, 450 butiques contam com esse design elegante”, exemplifica, explicando o por quê do investimento na cidade interiorana: “Jundiaí ocupa a nona posição no ranking do PIB entre os municípios do Estado de São Paulo e este indicador é de extrema relevância para a Swarovski. Sem dúvida, o principal atrativo para a chegada da marca.”

Com a Sephora, que também investiu no JundiaíShopping, não foi diferente. A cidade foi a primeira fora do eixo Rio/São Paulo a integrar a cartela de locais com potencial para atuação, de acordo com dados da assessoria de imprensa.

Consumidores exigentes
Acostumada a pagar por grifes como Victor Hugo, Louis Vuitton, Guess, Zoomp e Michael Kors, entre tantas outras de renome, a advogada Mayara Ubeda de Castro Rufino afirma que Jundiaí já melhorou muito quando se trata de oferecer produtos e serviços para a classe alta. “Temos boas opções de lojas nos shoppings e também na rua do Retiro”, pontua.

Mas, segundo ela, nem por isso é possível deixar de fazer compras na capital paulista ou, principalmente, fora do País. “A gente sempre quer uma novidade. E são marcas com qualidade e que você sabe que não vai sair na rua com determinada roupa e encontrar outra mulher vestida igual”, brinca.

Para ela, o atendimento principalmente do setor de serviços é o que ainda deixa a desejar. “Há muitos locais excelentes, mas a maioria precisa se adequar bastante para atender esse perfil de público.”


Link original: https://www.jj.com.br/economia/mercado-de-luxo-ganha-forca-e-exige-uma-jundiai-para-a-classe-a/
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