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Metade dos brasileiros prefere ser autônomo

VINÍCIUS SCARTON | 30/09/2018 | 05:00

Metade dos eleitores brasileiros prefere ser autônomo, com salários mais altos e pagando menos impostos, ainda que sem benefícios trabalhistas, aponta a recente pesquisa do Datafolha, publicada no dia 20 de setembro.

Os que disseram preferir atuar como assalariados registrados, pagando mais tributos, mas com benefícios trabalhistas, somaram 43%. Outros 7% não opinaram. O levantamento do Datafolha, feito nos dias 18 e 19 de setembro de 2018, realizou 8.601 entrevistas presenciais, em 323 municípios, de todas as regiões do país.

Para o economista Gildo Canteli, em um primeiro momento o cenário demonstra uma questão de sobrevivência. “No entanto, mesmo que o trabalhador seja autônomo, ele precisa ter algum direito garantido, principalmente previdenciário, pensando a longo prazo na aposentadoria”, analisa.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, entre janeiro e agosto de 2018, 2,253 milhões de brasileiros pediram demissão de forma espontânea das empresas. O número equivale a 23% do total de desligamentos registrados no país.

O levantamento também detalha que neste ano há uma ligeira aceleração que se observa o retrato de 2017. Entre janeiro e agosto do ano passado, 2,105 milhões – ou 21% – dos trabalhadores pediram demissão por vontade própria. Até agosto deste ano, o Brasil criou 568.551 empregos com carteira assinada em todo o país.

Sobre os dados do Caged, Canteli afirmou que a demissão de forma espontânea pode ser justificada, através de diversos fatores. “Entre eles, um possível salário insuficiente no ponto de vista do trabalhador, que muitas vezes pensa em atuar mais próximo de sua residência ou ter algo próprio”, comenta.

O advogado trabalhista Filipo Henrique Zampa elenca as diferenças de atuar com carteira assinada e também como autônomo. “Para atuar como empregado, mesmo que a carteira ainda não esteja assinada pela empresa, é necessário o cumprimento de requisitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), referente ao artigo 3º, que envolve pessoalidade, habitualidade e subordinação. Já no caso do autônomo, o trabalhador não preenche esses requisitos, principalmente de subordinação, ou seja, ele age com liberdade e autonomia”, descreve.

Ainda sobre o trabalho com carteira assinada, o especialista ressaltou que a estabilidade e a segurança jurídica são as principais vantagens proporcionadas por uma relação trabalhista empregatícia. “Neste caso, o profissional tem todos os direitos previstos na CLT, inclusive aqueles que proporcionam certo grau de conforto em caso de dispensa, acidente, doença etc.”, diz.

Já do ponto de vista de quem atua como autônomo, a questão financeira pode ser uma vantagem em relação a quem trabalha com carteira assinada. “Isso pode ocorrer em relação aos encargos trabalhistas, que neste caso não existem. Portanto, em diversas situações, a remuneração pode ser maior, gerando uma diferença no final do mês, num comparativo com empregado que atua como CLT”, explica.

Embora o valor no final do mês possa compensar no momento para quem atua como autônomo, Filipo faz uma ressalva. “A situação financeira da atualidade pode revelar no futuro uma adversidade para o autônomo, em virtude da falta dos direitos que proporcionam estabilidade, a partir do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de poder gozar férias, o 13º salário, entre outros”, alerta.

 

Balconista quer segurança

Adriano Barbosa Silva, de 33 anos, atua como balconista no horário comercial, em uma casa de frutas em Jundiaí. “Estou registrado em carteira assinada há quase 12 anos neste mesmo emprego. Tenho um trabalho que oferece estabilidade e direitos importantes, como o FGTS, entre outros benefícios. Portanto, atuar como CLT na atualidade é questão de segurança, pois no futuro pretendo me aposentar”, diz.

 

Após gravidez, mais liberdade 

Rafaela Mara dos Santos, de 29 anos, trabalha como autônoma há sete meses. “Sou esteticista por formação e já atuei nesta área por cerca de quatro anos. Mas em 2017, ao lado do meu esposo planejei a minha gravidez e, desde então, migrei para o trabalho autônomo, no ramo de culinária, com foco para brigaderia gourmet, sob encomenda e também vendendo para comércios e empresas”, descreve.

Segundo Rafaela, a experiência como autônoma está indo bem. “As encomendas estão crescendo gradativamente, assim como a renda e não vislumbro atuar ou prestar serviço em outro segmento”, confirma.

Rafaela ressalta que consegue administrar o expediente de trabalho, conciliando aos cuidados do filho e de sua família. “Para o futuro pretendo abrir uma empresa e ser uma microempreendedora”, encerra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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