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Negócio próprio: aspiração

| 21/10/2014 | 22:06

Ser dono do próprio negócio é atualmente o terceiro item na lista de sonhos dos brasileiros, segundo pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), realizada pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade. A vontade só perde para o sonho da casa própria e para uma viagem por todo o País. Para muitos, no entanto, o sonho pode virar um pesadelo, especialmente quem começa o negócio com dívidas. E é por isso que alguns jundiaienses optaram por juntar dinheiro para depois investir nos sonhos.

Foi o caso da professora Ana Paula Hernandes Bordin, que deu os primeiros passos como empresária há sete anos, vendendo joias nas horas vagas. “Comecei por diversão, seguindo a paixão da minha mãe, que trabalhou nesse ramo por 20 anos”, conta. Aos poucos, a brincadeira foi ficando séria e em 2011 ela decidiu dedicar meio período do seu tempo para a atividade. “Parei de dar aulas em uma das duas escolas em que eu trabalhava e mergulhei no negócio”, diz. Com a experiência adquirida ao longo dos anos, Ana Paula percebeu que os seus clientes buscavam uma personalização no atendimento, difícil de encontrar em grandes joalherias.

Foi aí que ela teve a ideia de criar a Ana Paula Joalheria Customizada, inaugurada este ano com investimento de R$ 12 mil. “Abri um espaço pequeno, mas aconchegante, onde atendo meus clientes com hora marcada, em um ambiente seguro e com privacidade”, diz.

O investimento inicial ela juntou ao longo dos sete anos em que dividiu seu tempo entre as joias e as salas de aula. “Optei por não recorrer a empréstimos porque queria ter a sensação de estar realmente em um negócio meu. Hoje eu sei que se tiver que fechar a loja, basta recolher o estoque e voltar para casa. Não devo nada para ninguém”, afirma.

Ana Paula diz que atualmente sua renda é 40% superior a que ganhava como professora. Ela já se prepara para alçar novos voos. “Na metade de 2015 espero estar atendendo em um espaço maior, com ajuda de consultoras comissionadas”, diz a professora-empresária, cuja carteira de clientes conta com 200 pessoas em Jundiaí e Região.

Juros – O principal problema enfrentado por quem depende de um empréstimo para abrir um negócio são os juros, notoriamente altos no Brasil. Mesmo os programas de incentivo do governo também têm juros e, além disso, são voltados a áreas específicas, o que limita o seu alcance, conforme opina o consultor Francisco Britto, autor de cinco livros sobre empreendedorismo.  “Para piorar, os bancos fazem grandes exigências mesmo para empréstimos pequenos”, comenta Britto.

Fugir dos juros foi a primeira coisa que os sócios Flávio Dias Gomes e Juliano Valente decidiram quando investiram R$ 20 mil cada um para abrir uma loja de conserto e venda de acessórios para celulares. Segundo Valente, a decisão foi crucial para o crescimento do negócio por várias razões, entre elas a possibilidade de trabalhar com uma margem de lucro maior. “Como não fizemos dívidas, nunca precisamos ‘queimar’ mercadorias para fazer caixa”, explica o empresário, que ao lado do sócio se prepara para empreender em outro segmento. “Estamos investindo em uma empresa de entrega de comida congelada”, adianta Gomes. E o capital inicial vai sair dos lucros obtidos com a loja.

Oportunidade – Ano passado, quando começou a organizar sua festa de casamento, o engenheiro Fábio Padrão percebeu que não havia um lugar que reunisse tudo o que é necessário para preparar uma festa. Da sua dificuldade nasceu uma oportunidade de negócio que ele explora há menos de dois meses: o site AZ Festas. Padrão conta que investiu cerca de R$ 40 mil no desenvolvimento e na divulgação do site, que reúne dicas, notícias e indicações de fornecedores para organização de festas e outros tipos de evento. “O site está indo bem e em 50 dias registramos 19 mil acessos. Já temos 15 anunciantes pagantes e esperamos atingir 100 em um ano”, afirma.

Ele diz que o fato de ter separado um capital para trabalhar por um ano sem fazer retiradas lhe dá tranquilidade para montar a estratégia de crescimento. “Um negócio demora um pouco para se firmar e não ter dívidas, no meu caso, tem sido fundamental para sobrevivência”, garante.


Link original: https://www.jj.com.br/economia/negocio-proprio-aspiracao/
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