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Pesquisa aponta aumento de 51% de empreendedores informais

Vinicius Scarton | 12/08/2018 | 14:15

O aumento do desemprego e a crise econômica são alguns dos fatores que explicam a elevação de 51% em relação ao número de empreendedores sem CNPJ no Brasil, que empregaram 1,87 milhão de pessoas no primeiro trimestre de 2018, 311 mil a mais do que 2017, conforme microdados da pesquisa domiciliar do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

São desde pedreiros que deixaram a construção civil e passaram a fazer pequenas obras em residências, com o auxílio de serventes, até cozinheiras que contrataram entregadores ou camelôs que pagam por auxiliares.

Um exemplo desta realidade é o pedreiro e morador de Jundiaí Rodrigo Oliveira de Almeida, de 29 anos, que há 14 atua neste ramo, com ênfase em reformas residenciais. Segundo ele, no princípio da carreira trabalhou como servente, mas com o passar do tempo buscou um caminho diferente neste segmento, sendo o responsável direto pela condução do trabalho, gerando oportunidades para serventes. “O começo de cada obra é realizado individualmente. No entanto, a partir da fase de acabamento, o auxílio se faz necessário e, sempre que possível, acabo contratando um ajudante que realiza a limpeza do local, o preparo da massa e o rejunte de pisos e azulejos, entre outros afazeres”, explica.

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De acordo com Rodrigo, a opção pelo ajudante é uma medida pontual. “Afinal, o meu trabalho tem um prazo curto em cada residência, podendo alcançar novos clientes e gerar oportunidades de emprego, sem que haja o vínculo empregatício”, resume.

Por outro lado, David William de Souza, de 21 anos, trabalha como servente há cinco e tem adquirido experiência no ramo, sonhando para o futuro conduzir a sua trajetória profissional como pedreiro. “Eu espero tocar uma obra, contratar ajudantes e poder auxiliar aqueles que estão em busca de uma oportunidade”, afirma.

Embora não tenha uma renda fixa, David ressaltou que o trabalho como servente tem ajudado bastante. “Através desta oportunidade estou me mantendo”, confirma.

Especialistas
O economista Mariland Righi ressaltou que os microdados da pesquisa domiciliar do IBGE mostram uma tendência de “quebra-galho” que o desemprego gerou. “É uma situação que acontece em momentos de crise e a solução levará muitos anos para ter uma formalização. Afinal, o processo de abertura de empresa no Brasil é burocrático, bem como a questão jurídica é muito grande”, opina.

Para o especialista, os trabalhadores que não estão inseridos em serviços da Previdência Social terão o risco bem acentuado de passar por dificuldades no futuro.

Já o consultor de negócios do Sebrae, Marco Antonio Ramos, acredita que vários fatores podem explicar o crescimento apontado no levantamento do IBGE, como o desemprego, a idade avançada e o empreendedorismo por oportunidade, servindo como complemento de renda e abrindo caminho ou não para a constituição do CNPJ, caracterizando como pessoa jurídica. “A prestação do serviço temporário também acaba atraindo muitas pessoas, pois não possui um vínculo empregatício, cumpre a função em acordo mútuo e, ao término, já está disponível para outra prestação de serviço”, comenta.

Segundo o consultor, as pessoas que buscam informação e orientação no Sebrae acabam se formalizando. “No entanto, o grande desafio da entidade é fazer com que mais pessoas busquem a orientação ou formalização efetiva, justamente para aumentar a chance de dar certo”, conclui.

Rui Carlos/Jornal de Jundiaí

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