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PIB recua e Brasil flerta com recessão

DAS AGÊNCIAS | 30/05/2019 | 20:18

O Brasil está flertando com uma nova recessão, embora, oficialmente, o PIB (Produto Interno Bruto) não tenha recuado por dois trimestres consecutivos, critério popularmente usado para definir essa situação nos ciclos econômicos. Entretanto, neste primeiro trimestre,o PIB recuou 0,1 e a nova projeção é de 1% para 2019.

A desaceleração do consumo das famílias e a forte contração do investimento privado -revelados pelos dados da economia divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE- somados à recente piora das expectativas em relação ao futuro são sintomas de um ambiente recessivo, segundo analistas.

Alberto Ramos, diretor de pesquisa para América Latina do Goldman Sachs, escreveu em um relatório nesta manhã que a situação atual já é sentida quase como uma recessão: “Tecnicamente nós podemos ter evitado mergulhar de volta numa recessão, mas, de alguma forma, se sente quase como uma já que a demanda doméstica final (excluindo o consumo do governo) contraiu por dois trimestres consecutivos (e em três dos últimos quatro trimestres).”

O economista destaca que a renda per capita permanece 9,1% abaixo do nível do começo de 2014, antes do início da última recessão que se estendeu entre o segundo trimestre daquele ano e o último de 2016.

Em relatório, a LCA Consultores também ressalta que, do ponto de vista apenas da demanda doméstica, a economia está em recessão técnica, já que, somados, o consumo das famílias e a chamada formação bruta de capital fixo recuaram por dois trimestres seguidos. Isso não ocorria desde o fim de 2016.

Embora considere a ocorrência de uma recessão técnica para a economia como um todo no primeiro semestre deste ano pouco provável, a consultoria ressalta que, após a divulgação dos dados do primeiro trimestre, as projeções de crescimento próximas a 1% para 2019 já parecem muito otimistas.

As fases de expansão e contração da atividade no Brasil são estabelecidas pelo Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), ligado à FGV (Fundação Getulio Vargas). Os critérios para determinar o início de uma recessão se baseiam no desempenho de uma série de indicadores e não se limitam à regra de dois trimestres consecutivos de queda do PIB.
Em 2014, por exemplo, a atividade econômica recuou no segundo trimestre e cresceu nos dois períodos subsequentes. No entanto, o Codace avaliou que as condições da economia já eram recessivas no período. As decisões do comitê são sempre tomadas olhando para trás, para permitir que as datações sejam feitas com maior precisão.

Por isso, é difícil para os economistas com base em indicadores correntes definirem se o Brasil vive ou não novamente uma recessão. A expectativa é que esse diagnóstico fique mais claro após o fim do segundo trimestre, para o qual o número de indicadores conhecidos ainda é limitado.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a economia brasileira está estagnada e o desempenho da atividade no primeiro trimestre não é novidade -o governo estuda liberar dinheiro de contas ativas do FGTS para impulsionar o consumo.


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