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Rápida correção não apaga erro ‘gravíssimo’ do IBGE, diz ministra

| 20/09/2014 | 20:32

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou, em coletiva de imprensa ontem, que o governo só vai adotar providências a respeito do “erro gravíssimo” cometido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) após a conclusão de uma sindicância que trabalhará por 30 dias, prorrogáveis pelo mesmo período.

“Criamos uma comissão de sindicância, tem um prazo para analisar e estabelecer a recomendação ao governo. Só depois disso, o governo tomará qualquer providência. Gostaria de não fazer juízos antecipadamente”, disse a ministra quando questionada sobre a permanência da atual presidente do instituto, Wasmália Bivar.

Belchior afirmou que a rápida correção “não apaga o erro, que de fato é gravíssimo”, mas mostrou transparência do instituto – que foi alertado, após a divulgação dos primeiros dados, por setores que consideraram os dados inconsistentes. Nesta sexta-feira (19), o IBGE retificou uma série de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) que haviam sido divulgados no dia anterior.

Correções – Foram corrigidos, por exemplo, o índice de Gini do trabalho, que mede a distribuição de rendimentos do trabalho. A taxa corrigida ficou em 0,495 em vez de 0,498; em 2012, como comparação, o índice foi 0,496 (quanto mais perto de 1, maior é a desigualdade).

Outra correção feita foi em relação à estimativa de alta da renda do trabalho. Na quinta-feira (18), foi divulgado um aumento de 5,7%, porcentual que agora cai para 3,8%. O próprio IBGE classificou como um erro grave a divulgação de dados incorretos, calculados com base em projeções erradas de sete Estados.

Belchior já havia concedido uma coletiva, na noite de sexta, em que anunciava as ações do governo para apuração do erro do IBGE, quando disse que o governo federal estava chocado com o erro cometido pelo instituto. O IBGE é uma entidade vinculada ao Planejamento.

O Assibge, sindicato nacional de funcionários do IBGE, divulgou nota na noite de sexta-feira afirmando que a correção dos dados da Pnad “expressa a gravidade da situação a que chegou o IBGE’ e que há uma crise de gestão no instituto. A entidade afirma ainda que corte feito pelo governo de cerca de R$ 500 milhões do orçamento das pesquisas para 2015, equivalente a cerca de 70% dos recursos inicialmente previstos, afeta diretamente levantamentos como a Contagem Populacional e o Censo Agropecuário.


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