Economia

Retomada do crescimento é o desafio da quarta revolução

INSTALACAO DE INDUSTRIA EM JUNDIAI MARCELO CERESER
Crédito: Reprodução/Internet

As inovações tecnológicas da indústria 4.0 e a retomada do crescimento fortalecendo o setor pautam o Dia da Indústria, comemorado hoje, 25 de maio. Mas antes de entrar de vez na nova revolução, o setor industrial tem outro grande desafio: recuperar o espaço na economia que vem perdendo nos últimos anos. De acordo com dados do IBGE, a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) caiu para 11,8% e é hoje a menor desde os anos 1950. Nos anos 1980, esse porcentual chegou a superar a casa dos 20%. “É um dado triste. Voltamos ao patamar de 1953. O Brasil conseguiu desenvolver uma política forte de desindustrialização”, lamenta o diretor titular do Ciesp Jundiaí.

DIA DO TRABALHO FUNCIONARIOS DA VINAGRE CASTELO TRABALHANDO INDUSTRIA

Segundo Cereser, o País deixou de ter políticas públicas de financiamento industrial e de fomento à exportação e passou a sobretaxar produtos e mão de obra. “O governo vem aumentando os impostos para manter a máquina pública e a corrupção e vem tirando o dinheiro dos setores que geram empregos e renda.”, analisa. Por outro lado, Cereser destaca que, apesar do cenário nacional, Jundiaí tem o que comemorar. Na cidade, a indústria representa 27% do PIB, média bem acima da nacional e do Estado, que é de 22,8%. “Além disso, a indústria vem acompanhando o conceito 4.0”, afirma, citando um estudo recente que mostra o crescimento de mais de 300% nos últimos 16 anos nos empregos de alta intensidade tecnológica na cidade.

“Isso significa que a mão de obra na cidade está mais especializada. Os empregos formais nas divisões de alta intensidade tecnológica passaram de 11.7% do total do emprego industrial, em 2000, para 37% em 2016”, diz Cereser, citando o estudo. De forma geral, complementa o diretor da Ciesp, o número de empregos criados na setor industrial também cresceu, apesar da crise econômica. Foi de 29.441 em 2000 para 40.810 em 2016. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destaca a importância da indústria para a geração de emprego e o desenvolvimento das cidades e salientou a indústria 4.0 é uma revolução em todos os setores, não só na indústria. “E o conhecimento fica mais importante que nunca”, afirma. INSTALACAO DE INDUSTRIA EM JUNDIAI MARCELO CERESER

Presidente do Conselho do sistema Sesi-Senai e 1º secretário da Fiesp/Ciesp, Vandemir Francesconi Júnior acredita que ainda falta muito para o Brasil avançar no conceito de indústria 4.0. “Infelizmente, 95% das indústrias brasileiras ainda não têm condições de assumir essa tecnologia”, calcula Francesconi. Entretanto, afirma, o setor precisa estar preparado. “Por isso, introduzimos nas várias escolas do Senai esse conceito, de olho no futuro. Temos que preparar essa mão de obra”, ressalta. Francesconi lembra que no último dia 13, o Sesi e a Prefeitura de Jundiaí assinaram termo de adesão à Rede Jundiaí de Cooperação para desenvolver programas nas áreas de Ciência e Tecnologia a professores e alunos da rede pública municipal. A primeira ação será a criação de um laboratório (Fab Lab – Fabrication Laboratory) no Complexo Argos. O Fab Lab será um laboratório público que otimizará o aprendizado tecnológico e científico por meio de equipamentos especializados, como cortadoras a laser e impressoras 3D.

Para entender um pouco desta nova era, relembra Cereser, 1ª Revolução Industrial marcou o início da máquina a vapor impulsionando o surgimento das indústrias, que sobrepunham o então trabalho de manufatura. A 2ª, com a energia elétrica, trouxe a produção em série. Já a 3ª é lembrada pela avanço da ciência, da tecnologia, da informática, da robótica e da eletrônica. A 4ª Revolução Industrial promete inovações tecnológicas e produção de forma autônoma, no sentido de que as fábricas serão inteligentes a ponto de adaptar e poder planejar produção, manutenção, monitoramento remoto, sistemas e comandos cyber-físico entre outros avanços.


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