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Segundo pesquisa, confiança de empresários não deve gerar empregos em 2019

FOLHAPRESS | 22/12/2018 | 14:59

Empresários brasileiros estão otimistas com 2019, mas isso não significa que planejam voltar a contratar ou investir já no próximo ano. Esse é o resultado de pesquisa conduzida com diretores financeiros de todo o mundo pela Duke University em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas). Em uma escala de 0 a 100, o otimismo dos brasileiros é de 70, à frente de peruanos (60) e chilenos (55). Há um ano, o índice era de 60 no país.

Os executivos estão igualmente confiantes com o próprio negócio, mas nesse caso se equiparam aos chilenos, que projetam melhores resultados para a própria empresa do que para o país onde vivem. Na comparação com outras regiões, os empresários da América do Sul só perdem para os americanos em expectativa de melhora nos negócios em 2019. No caso dos americanos, porém, o otimismo está em queda, em um momento em que a economia dos Estados Unidos começa a dar sinais de desaceleração.

“O que me espanta na pesquisa é o nível de otimismo. No meu entender, os executivos deveriam ser mais raci onais. Uma coisa é ter expectativa, outra é torcida e colocar isso nos projetos empresariais”, afirma William Eid, professor da escola de administração da FGV. Para ele, o cenário projetado pelos brasileiros na pesquisa considera a melhora linear da economia brasileira já no primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro (PSL). De acordo com Eid, essas projeções não levam em conta as eventuais dificuldades de aprovar reformas como a da Previdência, algo considerado necessário para o equilíbrio das contas públicas e o crescimento da economia.

Nas projeções dos executivos ouvidos, a economia brasileira deve crescer entre 1% e 3,5%, sendo a mediana das projeções ao redor dos 2,75%. Segundo economistas consultados pelo Banco Central no Boletim Focus, a projeção é de 2,55% de crescimento em 2019. O levantamento mostra, porém, que diretores financeiros não planejam realizar investimentos, tampouco retomar as contratações.

O desemprego alcança 11,7% no trimestre encerrado em outubro, segundo dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em lenta queda após ter atingido o pico de 13,7% no começo de 2017. “Isso é reflexo do excesso de capacidade ociosa. O empresário tem uma máquina que produzia 10 mil peças e está produzindo 6.000. Nem sempre ele consegue reduzir a equipe só porque está vendendo menos”, diz Eid.

A pesquisa mostra também que esses executivos esperam um aumento de 10% na lucratividade de seus negócios ao longo do próximo ano, cenário mais conservador apenas que o traçado pelos executivos peruanos, que projetam lucro 15% maior. No país, o melhor resultado virá justamente do aumento da produtividade com o uso da capacidade ociosa. O estudo “Panorama dos Negócios da América Latina” ouviu 122 diretores financeiros da região. No Brasil, foram compiladas informações de 34 brasileiras de grande e médio portes.

Foto: divulgação

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