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Setor de higiene pessoal estima crescer 11,8%

| 14/07/2014 | 00:00

Perspectivas menos otimistas para o consumo no Brasil não afetam as expectativas do setor de cosméticos, perfumaria e higiene para este ano. A indústria espera manter o ritmo de alta do faturamento, de acordo com números divulgados na última semana, pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

A entidade projeta que as vendas do setor cresçam 11,8% na comparação com 2013, ritmo de expansão próximo dos cerca de 10% do ano anterior. Com isso, se espera que o faturamento total em 2014 some R$ 42,6 bilhões antes dos impostos. Para o presidente da Associação, João Carlos Basilio, o setor tende a ser menos afetado por alguns fatores macroeconômicos que têm peso sobre outros segmentos de consumo.

Para ele, alta de juros e maior seletividade na oferta de crédito ao consumo podem afetar a venda de itens de maior preço, mas ele considera que, num segmento em que os produtos têm tíquete médio baixo, até cresce o interesse. “O consumidor que não tem condições de renovar a geladeira ou o fogão acaba buscando um produto que possa dar satisfação a um preço mais baixo, por isso procura, por exemplo, um xampu de melhor qualidade.”

Os investimentos também continuam mantendo ritmo de alta dos últimos anos. De acordo com a Abihpec, os investimentos da indústria este ano devem somar R$ 14,1 bilhões, um resultado 5,2% superior ao aportado pelas empresas em 2013. O maior montante será destinado para investimentos em marca: R$ 9 bilhões. Os aportes em ativos somam R$ 3,5 bilhões e em pesquisa e desenvolvimento, R$ 1,6 bilhão.

Uma das explicações para a alta de investimentos mesmo diante das incertezas no cenário macroeconômico e num ano de eleições é a crescente competição. “A competitividade no setor vem aumentando de forma significativa e, não basta só a empresa oferecer um serviço, mas a sua marca precisa ser conhecida e divulgada”, comenta. Além disso, ele destaca que o setor é dependente de novos lançamentos.

A Abihpec calcula que 30% do faturamento a cada dois anos seja com produtos recém-lançados. “Se uma empresa não tiver inovação no seu portfólio de produtos, fica fora do mercado”, diz. Uma das principais fabricantes do País, a Natura vem elevando gastos com marketing para conter a perda de participação de mercado no Brasil diante do crescimento da concorrência.

Já os investimentos em capex devem ser de R$ 500 milhões este ano, boa parte para tecnologia da informação e suporte ao projeto de e-commerce Rede Natura. Já a Avon, que vem reiterando a necessidade de otimizar investimentos e recentemente anunciou um corte de 600 vagas de emprego na América do Norte, ainda considera que o Brasil é um mercado para investir.

“Estamos mais propensos a fazer investimentos no Brasil porque acreditamos que há uma oportunidade para promover crescimento”, disse a diretora Financeira Kimberly Ross em teleconferência. A Abihpec considera, porém, que as perspectivas podem mudar em 2015. “Por enquanto, todos os sinais são de que no próximo ano vamos ter dificuldades, com a inflação mais alta e há certa preocupação sobre a criação de empregos”, comentou Basilio.


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