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A voz como instrumento de trabalho

| 19/09/2014 | 21:59

Cerca de 70% da população ativa tem a fala como um de seus instrumentos de trabalho. Por isso, a voz é tão importante no dia a dia e trata-se de instrumento primordial para muitas profissões como radialistas, cantores, atores, professores, repórteres, advogados, vendedores, atendentes de telemarketing, entre outras áreas. Dessa forma, esses profissionais devem manter hábitos saudáveis e adotar medidas de prevenção a males prejudiciais à saúde vocal.

Mas como será que a voz é produzida? De acordo com a fonoaudióloga Márcia Karelisky, a voz é produzida na laringe, que fica dentro do pescoço. O som da voz depende de um apurado controle do cérebro que coloca em vibração as pregas vocais, popularmente conhecidas como cordas vocais. O ar que sai dos pulmões será o combustível para esta vibração.

“Uma boa coordenação entre o ar que passa pela laringe e a vibração das pregas vocais produz a nossa voz, que se transforma nos sons da fala pelos movimentos da língua, lábios e outros articuladores”, detalha a especialista em voz e consultora em comunicação interpessoal.

Fazer o uso saudável da voz também é muito importante para uma boa comunicação interpessoal e traz ganhos em todas as áreas, seja dentro das empresas, em reuniões, entrevistas, palestras ou no cotidiano. Entre os cuidados para manter a voz saudável ela destaca inicialmente que é preciso diminuir a quantidade de fala depois do uso profissional da voz; dosar o volume de voz e falar em um volume moderado e também articular bem as palavras, isto é, abrir bem a boca ao falar. Conforme a especialista, perceber desvios de voz e minimizar desgastes são fundamentais para preservar a voz saudável.

Dessa forma, ela orienta que é necessário incluir no dia a dia pequenos períodos de repouso vocal de 15 minutos cada e hidratar-se adequadamente, ingerindo em média 2 litros de líquido ao longo do dia, sempre em pequenos goles. “As pregas vocais hidratadas vibram com menos esforço, principalmente em ambientes com ar condicionado”, observa.

Para o exercício profissional, o conselho é para que o interessado se submeta a treinamento fonoaudiológico para desenvolver ótimas condições vocais e de comunicação. “O profissional da voz é considerado um ‘atleta vocal’, ou seja, da mesma forma que esportistas tomam todas as precauções com seu corpo, o profissional deve ter uma rotina diária de exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal, com o objetivo de prevenir problemas de voz e manter excelente qualidade de vida na profissão”, avalia.

Cuidados – Segundo a fonoaudióloga, falar demais quando se está doente, gripado ou resfriado e quando se está muito estressado e com sono, está entre os hábitos prejudiciais a voz. Outra atitude errada praticada por muitas pessoas é gritar e falar em forte intensidade, o que gera muita sobrecarga para a laringe.

Fumar e ingerir bebidas alcoólicas estão entre as práticas que oferecem maior risco vocal. Já pigarrear e tossir com frequência machucam as pregas vocais.
“Conversar em ambientes ruidosos, com cheiros muito fortes, poeira e mofo; ingerir cafeína em excesso e alimentos que causem azia e má digestão também são prejudiciais”, diz. Ela alerta ainda que consumir pastilhas e sprays podem mascarar sensações de esforço ao falar. “Mas são apenas paleativos como o mel, própolis e gargarejos com receitas caseiras”.

Sinais
De qualquer forma, os profissionais devem ficar atentos aos sinais de que há algum problema com a voz. Sendo assim, ela alerta que é preciso perceber se a voz modificou-se com o passar do tempo, se o indivíduo faz força para falar ou fica com a voz fraca no final do dia. “Sentir cansaço vocal, ter falhas na voz, dor ou ardência ao falar e rouquidão por mais de 15 dias necessitam de avaliação especializada.

Tratamento
Existem diversas formas de tratamento que vão depender das causas do problema de voz, de acordo com Márcia. De qualquer forma, ela ressalta que o primeiro passo é procurar ajuda médica especializada, isto é, um médico otorrinolaringologista que irá diagnosticar e definir se o caso requer medicação, cirurgia e/ou tratamento fonoaudiológico. “Este tratamento é realizado por um fonoaudiólogo especialista em voz, que é o profissional capacitado para prescrevê-lo e administrá-lo”.

Ela garante que os problemas da voz são reversíveis através de tratamentos médicos e fonoaudiológicos. “Existem algumas restrições em casos muito severos que são submetidos a grandes cirurgias laríngeas”. Questionada sobre qual o nível de gravidade da doença da voz, ela esclarece que uma disfonia representa qualquer dificuldade na emissão vocal que diminua, comprometa ou impeça a produção natural da voz e a atuação ou a comunicação do trabalhador pode causar danos e prejuízos devastadores. “O que fatalmente leva a situações de afastamento e incapacidade para o desempenho das funções, o que implica custos financeiros, sociais, profissionais e pessoais”.


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