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Dignidade com os que saem e com os que ficam

| 04/05/2014 | 15:59

Em um mercado globalizado, repleto de incertezas e de surpresas desagradáveis, qualquer organização poderá ser impelida a ter que decidir sobre um processo de demissão coletiva, envolvendo parte de seu contingente administrativo e operacional, sob pena de colocar em risco a continuidade de seu negócio.

Esse pode ser um dos piores momentos na vida de uma empresa. Atualmente, a Justiça do Trabalho tem atuado com severidade nestes casos que ficaram conhecidos como “demissão em massa”, determinando que as empresas negociem com os sindicatos da categoria, caso contrário uma reintegração coletiva pode ser decretada.

A decisão da empresa deve considerar outras variáveis igualmente importantes: abrir mão de anos de investimento na capacitação de dezenas, centenas ou até milhares de colaboradores; a interrupção abrupta da segurança e da fonte de renda dos colaboradores atingidos, impactando as suas vidas pessoais, profissionais e familiares; e outra igualmente importante, a insegurança daqueles que permanecerão nos seus empregos.

A demissão coletiva, apesar de sua complexidade e impactos, é uma alternativa viável, pois produz resultados concretos e imediatos, enquanto que outras podem requerer tempo e investimentos adicionais, muitas vezes indisponíveis na ocasião. Sendo inevitável a demissão coletiva, qual é o melhor jeito a se fazer com aquelas pessoas selecionadas para deixar o emprego?

Como mitigar o clima de insegurança que vai afetar diretamente a confiança dos colaboradores que ficam, alterando seus comportamentos e atitudes, comprometendo os resultados da empresa? É nessa ocasião que a dignidade e o respeito viram protagonistas da situação, e neste momento há algumas formas de agir:

Porta da frente
Assim como uma visita, os desligados devem sair por onde entraram, a porta da frente. Sinal claro e imprescindível de dignidade e respeito tanto para quem está sendo desligado quanto para quem irá permanecer nos quadros da empresa, que certamente estará pensando como será quando chegar a sua vez.

De uma só vez e sem demora
Esse procedimento, aliado à transparência e agilidade no processo de demissão coletiva, minimiza os impactos da medida. A ação subsequente e imediata é informar e esclarecer aos colaboradores que ficam, encerrando o processo e promovendo um retorno mais rápido à normalidade. Mais uma vez, é dignidade e respeito para os desligados e para os que continuam.

Quem comunica é o líder imediato. A notícia da demissão coletiva, tanto para os que saem quanto para os que ficam, é responsabilidade indelegável do líder imediato das pessoas. Afinal, essa é uma excelente oportunidade para consolidar a sua liderança perante a equipe e manter a produtividade da empresa.

Heli Gonçalves Moreira, fundador e sócio diretor da HGM Consultores, especialista em conflitos coletivos e projetos de consultoria e treinamento nas áreas de Relações Trabalhistas e Sindicais, Programas de Gestão Participativa, Negociações Coletivas, entre outras. Também é negociador patronal e perito na administração e solução de conflitos trabalhistas e estratégias empresariais para situações e mudanças de alta complexidade e impacto.


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