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Novas vagas geradas no mercado de trabalho pagam até dois salários mínimos

Niza Souza . csouza@jj.com.br | 09/01/2018 | 13:33

Quase 90% das ocupações que mais geraram vagas de emprego em Jundiaí no ano passado pagaram, em média, até dois salários mínimos, equivalente a R$ 1.874 (valor referente a 2017). O levantamento, feito pela reportagem com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), revela que das 50 profissões que mais empregaram na cidade, 42 ofereceram salário médio entre R$ 984 e R$ 1.871.

Das oito restantes, apenas duas categorias pagaram acima de R$ 2 mil: mecânico de manutenção de máquinas, com média salarial de R$ 2.934; e supervisor administrativo, com salário de R$ 3.781. As dez ocupações que mais geraram vagas em 2017 na cidade foram: vendedor de comércio varejista (3.202), auxiliar de escritório (2.526), alimentador de linha de produção (2.310), faxineiro (1.775), armazenista (1.671), operador de caixa (1.582), assistente administrativo (1.448), operador de telemarketing receptivo (1.199), atendente de lanchonete (1.056) e auxiliar de serviços de alimentação (998).

Dessas categorias, apenas uma – auxiliar administrativo – teve média acima de dois salários mínimos: R$ 1.915. O restante, variou entre R$ 984 e R$ 1.871.
Uma das razões pela baixa média salarial é a pouca especialização exigida para as funções. Entretanto, o economista Messias Mercadante de Castro, gestor da Unidade de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do município, pondera que é preciso relativizar os dados. “Primeiro, considerando a crise, podemos avaliar que é um rendimento razoável”, destaca.

Além disso, Mercadante acredita que com o alto índice de desemprego muitos trabalhadores enxergaram nessas vagas uma oportunidade para voltar ao mercado de trabalho. “É preciso avaliar também que as vagas formais costumam ter outros benefícios, como convênio médico, auxílio-transporte e vale-refeição. Tudo isso deve ser ponderado”.

Na avaliação da coordenadora de RH Janaína Lemes, as médias salariais de Jundiaí ficam na faixa intermediária entre regiões com salários maiores e menores. “Mas dizer se é bom ou ruim é muito relativo”, destaca, lembrando que os salários praticados refletem as médias de mercado, piso salarial de categoria, acordos coletivos, bases salariais, região onde a empresa está situada e outros pontos.

“Dizer que os salários são definidos pela baixa qualificação profissional dos ocupantes do cargo é um erro, posto que uma vez contratado para aquela função ele não poderá ter diferenciação salarial por ‘qualificação’. De forma geral, o mercado determina os salários, considerando oferta de profissionais no mercado, aderência dos profissionais às posições, nível de responsabilidade e legislação”, pondera Janaína.

Comércio
Os setores de comércio e de serviços foram os que mais se destacaram na criação de vagas em 2017. Até novembro, o comércio apresentava saldo positivo de 763 vagas, revertendo a curva de resultados negativos dos últimos dois anos, quando o setor perdeu quase 3 mil postos de trabalho.

“Jundiaí foi a segunda cidade do estado que mais criou vagas no varejo em 2017, atrás apenas de São Paulo, e isso é motivo para celebrar, pois vemos uma retomada da economia e também o aumento da confiança do empresário, que teve um índice 10,2% maior em 2017 se comparado com 2016”, avalia o presidente do Sincomercio Jundiaí e Região, Edison Maltoni.

Além da criação de novas vagas para os vendedores no comércio varejista, Maltoni destaca que a categoria conseguiu uma negociação coletiva que resultou em 1,9% de reajuste salarial para os trabalhadores. “Foi uma das melhores negociações do estado. Sem dúvida, o comerciário vem sendo beneficiado pelo crescimento do nosso comércio e da Região, que é referência no estado de São Paulo”, diz.


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