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A cada quatro casos de câncer entre mulheres, um é de mama

Guilherme Barros | 13/10/2019 | 05:00

Durante um ano e meio afastada das atividades corriqueiras, a funcionária pública Elaine Souza, 45, viu seu mundo desabar depois de receber a notícia de que tinha um nódulo maligno na mama direita. O diagnóstico veio depois de um simples exame de toque caseiro, seguido de uma mamografia mais detalhada. O calvário continuou: entre o resultado do exame e a cirurgia foram aproximadamente 90 dias de incerteza, negação, dúvidas e uma fé que fez com que sua vida retomasse o sentido. “O câncer é uma doença que te arranca da vida. Depender da família, se sentir impotente com as constantes sessões de quimioterapia, a gente não tem força para nada”.

Elaine é uma das quase 60 mil mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama todos os anos no Brasil. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), uma a cada oito mulheres adultas terá este tipo de doença em algum período da vida. Ainda de acordo com o INCA, não há uma causa única para o câncer de mama. Diversos agentes estão relacionados ao desenvolvimento da doença entre as mulheres, como envelhecimento, fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher, histórico familiar de câncer de mama, consumo de álcool e excesso de peso.

Há quem defenda que o simples exame de toque passe desapercebido nos estágios iniciais da doença. A também funcionária pública Giumara Pagano, que também passou pelo mesmo problema em meados de 2016, alerta para que as pacientes peçam ao médico exames mais detalhados. “As mulheres não sabem que a mamografia não funciona sem o ultrassom de mama. Não dá o diagnóstico correto. É importante pedir para o médico”, salienta.

Novo sentido à vida

A retomada da vida vem de forma gradual. Durante e após o tratamento, as pacientes recorrem à terapia psicológica para se reerguerem. A família também é de fundamental importância na recuperação. “À época da doença, meu filho mais novo tinha 11 anos. Me apeguei no apoio psicológico para retomar a rotina. Hoje me sinto transformada”, salienta Elaine, que faz acompanhamento clínico a cada três meses para realizar exames de rotina.

Giumara criou um grupo de apoio, intitulado “Amigas do Peito”, como forma de reunir quem já passou pelo problema anos atrás. Todos os meses, ela e outras 21 amigas se encontram em diferentes lugares de Jundiaí. “É uma forma de nos fortalecer. Esta aproximação ajuda muito”.

Elaine Demarchi precisou retirar as duas mamas em decorrência do estágio da doença. Colocou implantes de silicone e, depois de 21 dias, teve o procedimento rejeitado pelo corpo. Ao contrário do que ela mesmo imaginou, hoje não vê problemas em não tê-las. “Não preciso dos meus seios pra me sentir mais mulher. Vivo de forma mais leve, dou mais sentido à vida e faço tudo um dia de cada vez.”

Rede pública

As pacientes têm o direto de realizar o tratamento pela rede pública de saúde. em Jundiaí, o Ambulatório de Saúde da Mulher funciona dentro do Núcleo Integrado de Saúde (NIS). “O atendimento prestado às pacientes com câncer, realizados nesse ambulatório pela equipe multiprofissional, é muito importante porque vai desde o diagnóstico até a alta das pacientes. Ao ofertar esse tipo de serviço, com acompanhamento multiprofissional com acolhimento, o objetivo é garantir a adesão e o tratamento oportuno até que a paciente deixe o serviço”, destaca a enfermeira e gerente do Ambulatório de Saúde da Mulher, Roberta Keli Amadio Silva Caetano. Em 2018, foram diagnosticados 59 casos. Neste ano, até agosto, foram 31 casos.


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