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Astra e Madrigal Vivace debutam em noite musical

| 11/10/2014 | 22:04

Um é corporativo e nasceu da vontade de alguns colaboradores de uma empresa de montar um coral. O outro reúne pessoas que ganharam o status de amigos e encontram na música o sentido para a vida. Ambos, regidos pela maestrina Vastí Atique, estarão no próximo domingo, 19 de outubro, às 19h, no palco do Teatro Polytheama, para comemorar um momento histórico: a celebração de 15 anos dos corais Astra e Madrigal Vivace.

Mas as coincidências entre os grupos vão além das datas – enquanto Vivace foi criado em setembro de 1999, o Astra ganhou voz em agosto do mesmo ano – e incluem o comprometimento de seus integrantes e a qualidade nas performances. Para Vasti, trata-se de uma feliz coincidência que transformou 2014 em um ano mais do que especial. “Iniciamos as comemorações no último dia 4 de outubro, quando foi aberta a exposição ‘15 anos dos Corais Astra e Madrigal Vivace’, no espaço Maxi Comunidade, no Maxi Shopping.” A mostra fica em cartaz até o dia 18 de outubro, com visitação gratuita.

Astra
E pensar que tudo começou do sonho de alguns colaboradores da Astra de vivenciar as sensações oferecidas pela música, como bem descreve Fátima Pelozim, que empresta sua voz ao coral, desde que foi criado. “Na verdade, esta conversa chegou ao gerente de Recursos Humanos da empresa na época, Ovídeo Rodrigues, que apoiou a iniciativa.”

Bastou um comunicado ser anexado ao quadro de avisos que não demorou para surgirem candidatos. Entre elas, Leila Bossi. “O que era para ser uma atividade a mais na empresa, se tornou o nosso happy hour”, revela Leila. O coral se reúne todas as sextas-feiras, após o expediente.

A primeira apresentação aconteceu quatro meses depois do primeiro ensaio, no Museu Solar do Barão, em época de Natal. Em seguida, o grupo começou a participar de eventos corporativos e foi ganhando espaço entre os corais da cidade. A prova dessa conquista veio com a estreia do Coral Astra no Encontro de Corais de Jundiaí. Nos últimos anos fez várias apresentações em diversas cidades do estado de São Paulo e em Minas Gerais.

Antes de cruzar fronteiras, porém, o coral abandonou as tradicionais pastas e becas e foi em busca de sua identidade. Eis que entraram em cena coreografias e encenações que caíram na graça da plateia. Hoje, o coral tem como essência este lado cênico e teatral – uma ‘batuta’ que Vastí divide com o diretor cênico Marcelo Peroni.

O que eles chamam de casamento perfeito, o público enxerga como encontro de talentos. Afinal, não foi nada fácil conciliar o equilíbrio vocal com o movimento cênico. “É um acerto musical que traz soma à cena, mas se for feita na medida certa”, diz Peroni.

Hoje, basta um olhar entre Vastí e Marcelo, que esta sintonia parece se fazer por si só. “Somos uma dupla do barulho que conseguimos encontrar o equilíbrio entre o som e a cena”, descreve Peroni.

Entre os destaques desta performance cênica está Jair Parandini, que há 12 decidiu se juntar ao coro. “Sempre gostei de cantar e na primeira vez que assisti a uma apresentação do coral, já quis fazer parte”, conta. Ele lembra, no entanto, que quase abandonou o grupo, quando soube que o coro ganharia uma direção cênica. “Logo eu, que nunca fui de ficar me mexendo, achei que não daria conta do recado e da nova proposta.”

No final das contas, o desempenho de Jair no palco surpreendeu até os companheiros. “Ele é um talento cantando e encenando”, afirma Leila.

Madrigal Vivace
Assim, sem muita pretensão, mas não menos importante, o Madrigal Vivace ganhou voz e espaço tão logo foi criado, ao receber o apoio do Centro de Educação Musical “Lúcia Olga Chaves”.

Com um repertório que passeia pelos estilos popular e erudito, o Madrigal Vivace é composto hoje por músicos amigos ou, como bem define Wladimir Ferraz de Toledo: uma grande família. “Nossos encontros acontecem todas as semanas e são mais de três horas juntos. Então, não poderia ser diferente. Nos unimos por amor à música, mas trocamos afetos e alegrias.”

Entre estas alegrias, há passagens por encontros e festivais de música, além do inesquecível convite feito pelo maestro João Maurício Galindo para se apresentarem com o Coro e Orquestra do Conservatório de Tatuí, na Sala São Paulo, na Série TUCCA de Concertos, em 2011 e 2013. “Este foi um dos momentos mais marcantes destes 15 anos, assim como a participação do Madrigal Vivace no Festival de Inverno de Campos do Jordão”, descreve Silvia Bandini, que ao integrar o coral realizou um sonho de criança: cantar.

Para Vastí, no entanto, nenhuma conquista se compara ao prêmio conquistado no Mapa Cultural Paulista, em 2005 e 2006. “Foi um marco, o impulso que nos deu a certeza de que estávamos no caminho certo e que a música feita pelo Vivace era de qualidade”, descreve a maestrina.

Da galeria de prêmios para o palco, Edna Bull Sanguin prefere mesmo os momentos de consagração do coral, como o corrido em dezembro de 2013, quando foi convidado da Orquestra Sinfônica Jovem de Guarulhos para a execução da Nona Sinfonia de Beethoven, sob a regência de Emiliano Patarra. “Sou uma professora de iniciação musical. Então, nada me realiza mais do que sentir a emoção da plateia”, descreve.

Assim, Madrigal Vivace se tornou um representante de Jundiaí. Se no âmbito do repertório popular apresentou os musicais “Gershwin Showcase”, “Tributo à MPB”, “The Christmas Post” e “Pop Choir Show”; no estilo erudito executou as obras “Glória” e “Magnificat” de Vivaldi, o “Messias” de Händel, o “Réquiem” de Mozart, “Carmina Burana” de Carl Orff e a “Nona Sinfonia” de Beethoven.

Com este currículo e após 15 anos, Vastí já nem consegue mais apontar um único momento como inesquecível. “Claro que quando você inicia um projeto como o Madrigal não sabe onde pode chegar, mas não sabia que iríamos tão longe”, revela. Em 2001, por exemplo, graças ao incentivo da Lei Rouanet e o patrocínio das empresas Astra/Finamax, o Madrigal gravou o CD “Brasil Vivace”.


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