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Captação faz fila de espera por transplante reduzir na Região


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Crédito: Reprodução/Internet

Com o aprimoramento das técnicas de captação de órgãos pelos profissionais de saúde, a fila de espera por transplante tem sido reduzida nos últimos anos em todo o Estado. Prova disso é a atual espera em todas as cidades de São Paulo, que hoje conta com 10,3 mil pacientes. Comparado com os últimos anos, a queda é de 40%, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Responsável por captar órgãos na Região, o Hospital São Vicente de Paulo (HSV), em Jundiaí, segue a tendência do Estado. Quem afirma é Izandro Régis Brito Santos, médico e coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott). “Hoje o fator limitante é a disponibilidade dos órgãos, não os profissionais. As estruturas para captação se aprimoraram e os avanços aconteceram nos últimos anos, isso colabora para a redução do tempo de espera.”

Atualmente, Jundiaí é um importante centro de captação. Neste ano Izandro afirma que 14 órgãos já foram colhidos e encaminhados para doação. “Os principais são rins e fígados, seguidos de pâncreas, coração e pulmão”, revela. As córneas, tecidos que revestem os olhos, são as campeãs em número de procedimentos. No Estado, de janeiro até a primeira quinzena de setembro deste ano, foram transplantados 1.769 órgãos, sendo 94 corações, 57 pâncreas, 1.150 rins, 391 fígados e 77 pulmões. Em 2013, foram doados 2.295 órgãos.

Recomeços - Em 2002, no auge da juventude e mãe de um recém-nascido, a jundiaiense Daniele Galbieri Figueiredo começou a sentir os primeiros sintomas da doença que a acompanharia por mais de uma década. Então com 30 anos, foi diagnosticada com miocardite viral, uma inflamação causada por vírus na parede muscular do coração. “Foi uma gripe mal curada que acabou mudando a minha vida”, relembra.

Com parte do órgão necrosado e sobrevivendo à base de remédios, começou um tratamento no Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, em 2006. O procedimento medicamentoso foi eficiente até 2013, quando entrou na fila do transplante para receber um novo coração. “Não tinha mais solução, eu iria morrer”, conta. Como o caso era grave, foi priorizado na fila de espera. “Foram 46 dias esperando, uma parada cardíaca neste tempo e um coração artificial me mantendo viva”, diz. A boa notícia chegou em agosto do ano passado, quando descobriu que o novo órgão seria colocado em seu corpo. “Era de um rapaz de 19 anos, de São José do Rio Preto. São as únicas informações que eu sei.”

Após a cirurgia, ela ainda enfrentou uma depressão, pois se sentia culpada pela morte do jovem. “Superei com tratamento e ajuda da família, e hoje levo uma vida normal, sem restrições.” A disposição pode ser observada semanalmente, quando Daniele espera o filho sair da aula de natação fazendo caminhada e exercícios na pista de atletismo do Bolão.

Caso similar foi o do empresário Moacir Paulo. Há quatro anos, o rompimento de dois vasos do esôfago comprometeu severamente sua saúde. Internado com hemorragia, entrou na fila para receber um novo fígado, já que o seu estava comprometido. “Foi um sofrimento, tive risco de morte e não tinha forças para nada”, lembra. Na espera, passou 9 meses aguardando um órgão compatível. “Achei que fosse morrer, mas o apoio da família e a fé em Deus colaboraram para que eu vencesse a doença.” Hoje, recuperado e com uma vida normal, ele agradece diariamente pela segunda chance e afirma ser doador de órgãos. “Sou completamente favorável em colaborar com as pessoas que esperam por um recomeço.”

Amizade - O sentimento em comum nutrido por Moacir e Daniele durante a doença foi que em momento algum eles ficaram revoltados com suas condições. “De nada adiantaria, eu estava lutando apenas pela minha sobrevivência, não tinha força para pensar em outra coisa”, comenta ele. Daniele complementa o raciocínio. “A doença é complexa, só pensamos em alívio para o sofrimento e a dor.” Em comum, também, é a amizade destes dois transplantados, conhecidos de longa data e que apoiaram um ao outro durante os tratamentos.


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