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Casos de violência infantil preocupam Conselho e DDM

| 11/10/2014 | 22:04

A quantidade de casos de estupro e maus-tratos contra crianças e adolescentes registrados na cidade não reflete a realidade, segundo a delegada Lígia Capelette Basile Bonito, da Delegacia da Mulher de Jundiaí (DDM).

A instituição, responsável pelas investigações recebeu, nos nove primeiros meses deste ano, 52 denúncias de violência sexual formalizadas e 38 casos de violência física – números que foram praticamente mantidos se comparados aos registros feitos pela DDM no mesmo período do ano passado (58 e 39 casos, respectivamente).

“Os dados incomodam, pois sabemos que muitas crianças abusadas não estão na estatísticas, já que os abusadores não deixam indícios. Há também os casos onde há ameaça, e por este motivo as crianças não verbalizam o sofrimento que passam”, diz.

No Conselho Tutelar 1 de Jundiaí, tem havido mais investigações de casos de violência contra crianças do que o ano passado. “Mais denúncias chegam, mas nem todos os casos podem ser classificados como abuso. Ainda há dificuldade para as pessoas entenderem o que se classifica como violência infantil”, explica a Presidente, Kelly Cristina Galbieri. Ainda assim, ela reforça a importância das denúncias.

“As pessoas precisam perder o medo de denunciar. Não há risco para quem colabora, pois a denúncia é anônima e isso ajuda a aliviar o sofrimento das crianças que sofrem algum tipo de abuso.”

Entre as práticas que devem ser denunciadas estão as agressões físicas, tentativas ou consumação de ato sexual e agressões psicológicas, como xingamentos e humilhações.

Nos casos registrados de violência sexual, 70% acontecem quando o abusador convive com a criança ou adolescente no mesmo lar. A cada 10 ocorrências, sete acontecem com meninas e três com meninos, afirma Kelly.

Identificação
Um problema que dificulta a identificação dos casos é quando há conivência por parte de algum familiar. “Há situações em que a mãe da criança assiste a tudo e fica calada por medo do marido, que é o abusador. Percebemos que em outros cenários a família não quer expor a situação, por vergonha, e deixa de denunciar”, conta Lígia.

A delegada lembra que qualquer tipo de negligência com a criança, como deixar de levar à escola ou ao médico, é um tipo de violação. “Pode ser enquadrado como maus-tratos, pois direitos básicos não estão sendo respeitados.”

Kelly lembra que após a identificação do abusador, o trabalho do Conselho é importante no sentido de colaborar para retirar o violador da casa onde convive com a vítima. “A criança deve ser retirada do lar apenas em último caso, pois ela já foi vítima uma vez, então sua integridade deve ser respeitada.”


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