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Coxinha de queijo, Paulista, modo de fabricar vinho e Fusca Clube: tão distintas mas com algo em comum

GUSTAVO AMORIM | 24/06/2018 | 13:00

O que torna uma cidade especial? Sua cultura, seus costumes, sua gente e sua forma de ser. E se alguma dessas particularidades não for tangível, materializável, pode ser transformada em bem imaterial do município. Na próxima quinta-feira (28), uma audiência pública na Câmara avança ainda mais no processo de incluir a coxinha de queijo, o Paulista Futebol Clube, a forma tradicional de fazer vinho e o Fusca Clube de Jundiaí no livro de tombos da cidade.

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Segundo Antônio Carlos Bezerra, presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac) de Jundiaí, órgão que realiza todo o processo histórico de tombamento, na audiência são apresentados os estudos em defesa de cada tema e há participação popular para fazer questionamentos. Após a audiência, os conselheiros se reúnem na primeira terça-feira de julho para deliberar: o movimento vai se tornar bem imaterial ou não. Atualmente, a cidade tem como bens imateriais o bloco carnavalesco Refogado do Sandi, o Clube 28 de Setembro e a Romaria Diocesana Masculina de Jundiaí.

SÓ NOSSA: A COXINHA DE QUEIJO

Se você já foi para Campinas ou São Paulo e pediu na padaria uma coxinha de queijo, certamente recebeu olhares tortos e algum questionamento do tipo “não é bolinha?”. Não, parceiro, não é bolinha. É coxinha. E sim, é de queijo (tem até de quatro queijos, mussarela, requeijão… De tudo). Mas há quem não conheça a comida típica jundiaiense. “Carioca da gema”, Carlos Leonardo mora há apenas um ano na cidade e nunca tinha experimentado a iguaria jundiaiense. Convidado pela reportagem do JJ a provar o produto no Mercadão da Vila Arens, ele se mostrou surpreso com o sabor. “Gosto muito da de frango, mas a de queijo é muito diferente”, diz. A coxinha de queijo também pode se tornar bem imaterial jundiaiense. Há mais de 20 anos, o pai do comerciante Demian Munhoz começou a vender a iguaria jundiaiense, que logo se popularizou. “Fomos um dos primeiros a produzir coxinha de queijo em Jundiaí”, garante ele, que revela que as duas coxinhas são vendidas em bastante quantidade atualmente. “Vendemos muito bem tanto a de queijo como a de frango. Mas é claro que a primeira tem esse toque jundiaiense”, diz o homem de 44 anos.

FOTO: ALEXANDRE MARTINS

FOTO: ALEXANDRE MARTINS

DA FERROVIA PAULISTA A LIBERTADORES, O GALO DE JUNDIAÍ

Fundado em 1909 por funcionários da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, que fazia o escoamento das produções de café e açúcar no interior do estado de São Paulo até o porto de Santos, o Paulista Futebol Clube leva até hoje o nome de Jundiaí por onde passa. “Talvez, inclusive, seja o maior expoente de Jundiaí pelo Brasil”, lembra o torcedor e historiador Ivan Gottardo. A equipe disputou o Campeonato Amador até 1948, quando se profissionalizou junto à Federação Paulista de Futebol. Em 1957, o estádio Dr. Jayme Cintra foi inaugurado ainda sem arquibancadas em uma área nova da cidade à época. Na segunda metade dos anos 60, o Galo iniciou a campanha “Doe um tijolo”, para ajudar na finalização da nova construção, que só ficou pronta na prática nos anos 1970. “O Paulista é uma das instituições mais antigas ainda em atividade na cidade e, como traz a grande paixão nacional (o futebol), tem uma relevância grande”, destaca Gottardo. Depois da passagem de empresas pelo comando do clube, o Tricolor conquistou a Copa do Brasil em 2005 e disputou a Copa Libertadores da América em 2006, torneio mais importante do continente, divulgando Jundiaí para os demais países latinos. Hoje o Galo disputa a quarta e última divisão do Estadual.

FOTO: ARQUIVO

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A TRADICIONAL FORMA JUNDIAIENSE DE FAZER VINHO

A colônia italiana que se formou em Jundiaí no início do século 20 transformou a cidade. Além das comidas e festas típicas comemoradas até hoje, Jundiaí viu na plantação de uva e na produção de vinho artesanal mais uma forma de levar o nome da cidade pelo Brasil afora. E é justamente essa especificidade jundiaiense de produção vinícola que pode se tornar bem imaterial do município. Entre os parrerais, videiras e vinhedos com cheiro de relva molhada, Jundiaí tem diversas adegas. 10 delas estão reunidas na Rota da Uva, que foi criada para impulsionar o turismo gastronômico na cidade. A rota é formada pelos bairros da Colônia, Caxambu, Toca, Roseira. Você pode conferir toda a programação, lista de restaurantes e adegas no site do projeto: http://rotadauva.com.br/associados

FOTO: ALEXANDRE MARTINS

FOTO: ALEXANDRE MARTINS

FUSCA CLUBE DE JUNDIAÍ RECRIA A MAGIA DO PASSADO

Desde 2007, o Fusca Clube de Jundiaí reúne amigos e amantes do carro popular que mudou o mundo. Com 80 associados de toda a Região, o grupo promove encontros e eventos que também arrecadam produtos para instituições de caridade. “O Clube não tem fins lucrativos, e nós mesmos fomos atrás do processo para se tornar bem imaterial da cidade”, afirma Fernando Schincariol, presidente do clube. Ele lembra da importância do carro desde a sua primeira versão, nos anos 30, inclusive sendo usado por exércitos na Segunda Guerra Mundial: “O fusca é um carro muito marcante. Sempre que você perguntar, alguém teve, um parente teve, foi um carro muito importante para todos. Minha mãe teve um e eu sempre quis comprar um igual. Pela memória, pela lembrança, pelo carinho que a gente viveu naquela época”, diz.

FOTO: JORNAL DE JUNDIAÍ

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