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De Várzea para Moçambique, padre sai em missão

| 13/09/2014 | 22:12

O padre salvatoriano, Fernando Sartori, que mora no Seminário da Congregação em Várzea Paulista, é mais um brasileiro em missão em um continente que está em alerta por conta do vírus do ebola. Mais de quatro mil pessoas já foram infectadas e 2.400 morreram em cinco países da África Ocidental, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O religioso desembarcou há uma semana em Moçambique, no sul da África em missão pela sua congregação. Ficará 11 dias, 7 dias em Maputo, capital do país e outros quatro em Chokwe – Província de Gaza. Em Chokwe existe uma missão com dois outros religiosos brasileiros, um congolês e um moçambicano, e em Maputo um seminário com outros dois religiosos salvatorianos e 10 jovens formandos, onde padre Fernando, que é responsável pela formação inicial dos salvatorianos, e padre Álvaro Macagnan, diretor da Congregação no Brasil, estão hospedados .

O religioso, no entanto, garante que não tem receio de contágio, uma vez que está num país ainda não infectado pela doença. Na verdade, não é só a ebola que assusta os habitantes daquela região, mas doenças que, em outros países, além do Brasil, estão controladas. Na região onde o padre Fernando e outros religiosos estão, por exemplo, há muitos casos de malária, tuberculose e aids. A malária por causa da falta de infraestrutura; a tuberculose, em sua maioria, se propaga nas minas da África do Sul onde os moçambicanos vão trabalhar; e a aids devido à exploração sexual turística na África do Sul.

A realidade é bem dura e diferente, segundo ele, porém, ainda assim vale a pena estar no país para ajudar na formação dos seminaristas e animar os religiosos que se dedicam àquela região.

O religioso contou que ao desembarcar em Johannesburgo, maior cidade da África do Sul, antes de fazer sua conexão, ele não viu nenhuma indicação sobre a epidemia do ebola, preocupação ou orientação aos passageiros.
Já no outro aeroporto, em Moçambique, o alerta era evidente: havia cartazes informando sobre a doença e suas formas de contágio, informações sobre os sintomas e procedimentos no caso de suspeita da doença.

“Também há um agente que vistoria o passaporte para identificar o país de onde você está chegando e, caso venha de uma área de risco ou tenha passado por uma, são feitas algumas perguntas. Ao mesmo tempo um outro agente faz uma verificação da temperatura de todos nós, estrangeiros, pois um dos sintomas da doença é a febre.”

Muitos contrastes
A passagem ao continente da África faz parte da visita provincial que consiste em passar um tempo com os missionários salvatorianos. É uma experiência e tanto, avalia o padre Fernando. “Juntos vamos animar os religiosos a continuarem a missão. Também fizemos visita ao bispo diocesano local, celebramos com o povo, visitamos a missão brasileira das Irmãs Salvatorianas e refletimos sobre as perspectivas de futuro da nossa presença em terras moçambicanas.”

As religiosas moram em Moçambique há alguns anos. Elas possuem três casas (comunidades) e ao todo são 12 brasileiras e 5 meninas em formação. O trabalho delas se divide em três campos principais: catequese paroquial, educação (escola) e atendimento à saúde. “Assim, ajudam o povo moçambicano. São corajosas e não têm medo do ebola e nem de conflitos armados que às vezes podem acontecer”, relata.

Desafios
A cidade de Maputo, onde estão hospedados, é uma cidade bastante movimentada, com muito trânsito e com os problemas sociais, políticos e estruturais de uma capital normal. A cultura é totalmente diferente da brasileira, os temperos e preparo dos alimentos, o modo de se vestir, o ritmo da música e da vida, que é mais tranquilo, e o modo de se relacionar, mais simples.

“Existem traços claros da colonização portuguesa na arquitetura das casas, na língua (português de Portugal é a língua oficial), na infraestrutura da cidade. Maputo é a cidade mais desenvolvida do país, todos querem viver aqui para ter acesso a empregos e pela centralização das indústria. Dentro da cidade tem diferenças sociais claras, bairros elitizados, bairros mais populares, tem até bairros que são construídos somente para passar o fim de semana”, comenta. Já o distrito de Chokwe (Província de Gaza) é uma cidade com cerca de 60 mil habitantes, prioritariamente rural, com canais de irrigação deixado pelos portugueses. A atividade agrícola vai quase toda para a capital.

“A cultura do povo moçambicano é rural, tribal e com muitas ligações afetivas e efetivas aos seus ancestrais, tudo tem um sentido e um significado”, descreve o padre.


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