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Diagnóstico precoce é a chave da cura

| 17/10/2014 | 23:27

Foi a partir do diagnóstico de câncer renal em uma prima com 14 anos de idade, quando estava no início da faculdade, que Cássio Ribeiro Costa, 31, decidiu tornar-se oncologista pediátrico. Há quatro meses, ele passou a fazer parte da equipe de profissionais do Grendacc (Grupo em Defesa da Criança com Câncer) e tem entre suas responsabilidades atualizar os outros membros da equipe sobre novos tratamentos, pesquisas, terapias. “Estamos sempre realizando reuniões, discussões e participando de congressos nacionais e internacionais para poder oferecer o melhor tratamento aos pacientes”, afirma o especialista que conhece o Grendacc há muitos anos e é admirador da filosofia empregada na instituição que oferece tratamento aos pacientes diagnosticados com câncer infantil que compreende até os 18 anos de idade.

Ele afirma que nos últimos anos, com o aumento das pesquisas e cooperação de centros do mundo inteiro, houve um avanço significativo no tratamento e cura do câncer, principalmente nas duas últimas décadas. “Vale destacar que o diagnóstico precoce é a peça chave nesse processo”.

Os casos mais comuns de câncer infantil são as leucemias, tumores do sistema nervoso central e linfomas, segundo o especialista. Questionado se há diferenças da patologia entre adultos e crianças, ele esclarece que geralmente o câncer infantil afeta o sistema sanguíneo e tecidos de sustentação (leucemia). “Nos adultos, a doença afeta as células dos epitélios que recobrem os diferentes órgãos (câncer de mama e pulmão) e muitas vezes estão associados a fatores ambientais”.

Quanto ao estigma que a doença carrega de estar relacionada a morte, o especialista avalia que a visão negativa está mudando com os avanços da medicina e um maior acesso às informações pela população e capacitação dos profissionais de saúde. Houve um aumento do índice de diagnóstico precoce e consequentemente das chances de cura. “Estima-se que em torno de 70% das crianças acometidas por câncer podem ser curadas se diagnosticadas precocemente em centros especializados”.

Ele destaca que as parcerias e a presença de uma equipe multidisciplinar são essenciais para o bom andamento do tratamento dos pacientes. “Na instituição nossa equipe é composta por enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, pedagogos, farmacêuticos, odontologistas e um grande número de voluntários”, detalha.

O especialista reconhece que são grandes os desafios enfrentados diariamente na área. “Seja no momento de dar o diagnóstico aos pais até o falecimento de um paciente, porém com as pesquisas e o aperfeiçoamento dos exames de diagnóstico, no futuro aumentaremos a qualidade de vida dos pacientes e os índices de cura”.


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