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Fé, orientação e trabalho ‘ampliados’

| 04/10/2014 | 23:00

Eles são jovens, de 20 a 35 anos, que abriram mão de vida social, profissional e da possibilidade de casar e formar uma família para se dedicarem à fé religiosa. Os homens moram nesta comunidade, que existe há 18 anos no bairro Traviú, em Jundiaí. Já as mulheres ainda não pernoitam, mas passam o dia no local entre orações e orientações a quem os visita, em busca de paz interior.

Estes 19 jovens, que fazem parte da Associação e Comunidade Dominus Salus, ordem religiosa pertencente à Igreja Católica, mantêm a comunidade por meio de doações e associados – e agora precisam ainda mais de ajuda para que consigam concluir a construção da “casa das irmãs”, para que elas também possam se dedicar integralmente à devoção e ao lema da Dominus: “Restaurando o ser humano à imagem e semelhança de Deus”.

O fundador da comunidade, o irmão Alexandre Mazzali, comenta que, hoje, as mulheres fazem o trabalho diário, inclusive de receber as pessoas para atendimento espiritual, mas precisam se dirigir para outro lugar para dormirem. “Começamos a construção há dois anos, mas como contamos sempre com ajuda, a obra é feita aos poucos. Esperamos que até 2015 possamos pelo menos ter os quartos prontos para que elas possam ficar aqui o tempo todo.”

A próxima etapa é a colocação de uma laje, que deve custar pelo menos R$ 7 mil. Para a finalização do prédio, incluindo custo com hidráulica, elétrica e acabamento, ainda faltam pelo menos R$ 50 mil. “Estamos promovendo eventos para arrecadar nosso dinheiro, mas contamos com ajuda para terminar a obra.”

A Casa das Irmãs será composta de uma ala superior com apenas os quartos, além de salas para estudo, capela e um estúdio. “Quando chegamos aqui demoramos pelo menos 10 anos para construir a sede, até porque a comunidade era nova e as pessoas ainda não sabiam se ajudavam ou não. Agora estamos avançados, mas queremos que as meninas tenham um espaço só para elas”, diz Mazzali.

Encontro especial – Um sino colocado na porta da sede serve para anunciar a chegada dos visitantes. A alegria instaurada no rosto daqueles que resolveram abdicar de tudo para servir a Deus mostra que ali vidas serão resgatadas. Com tarefas e funções a serem cumpridas, os jovens que escolheram este propósito de vida tiveram que convencer amigos e familiares quanto à escolha de abdicação, fazendo votos de castidade e pobreza.

Assim é a história de Alexsandre José Emídio, de 32 anos, que sentiu algo especial quando passou a frequentar a comunidade, há 11 anos. Ele veio do Paraná com os pais, para serem meeiros em Jarinu e depois mudaram para o bairro Roseira, em Jundiaí. Músico, ele participava de uma dupla sertaneja, mas largou tudo, inclusive namorada, para viver a vida santa e casta.

Há oito anos as roupas foram trocadas pelo hábito (vestimenta dos religiosos) e agora a paixão pela música é dirigida para evangelizar jovens e adultos. “Minha mãe ficou realmente triste, mas entendeu que era o que queria. Esta entrega foi a melhor coisa que fiz porque eu sentia que precisava de algo especial, e independentemente do que pensariam, eu estava seguindo meu coração.”

A cada dois meses, período de folga dos consagrados, a família pode visitar a comunidade, mas nada impede que a visita seja feita em qualquer período. “Uma vez minha mãe ligou dizendo que estava com saudades e queria me ver. Eu só falei pra ele vir porque não ficamos enclausurados, mas temos nossa rotina de trabalho”, comenta.

Nesta rotina, todos fazem de tudo um pouco. Desde os serviços domésticos – incluindo a culinária e fabricação dos pães para a venda até atendimentos e cobranças. Aliás é o que faz a irmã Thais Rodrigues da Silva, 28 anos, que há seis anos vive na comunidade. Amante do motociclismo, sua vocação chegou em um momento em que namorava havia 4 anos e trabalhava. A decisão foi se consolidando com o tempo.

“Não entendia o o que estava acontecendo porque tudo me levava à igreja. Quando eu não estava lá, me sentia mal. Lembro que um dia marquei com minhas amigas para ir a um passeio de moto e quando dei por mim estava na minha comunidade. Foi aí que entendi que algo diferente estava acontecendo.”

Irmã Thais lembra que a mãe achou que ela estava doente, mas seguiu firme em sua decisão e percebeu que ser religiosa e servir a Deus não era nenhum sacrifício. “Além dos atendimentos que faço aqui, ainda participo de duas pastorais (Magdala e Carcerária) e me sinto muito feliz porque vivemos em família e isto é que nos conforta.”

Quem deseja ajudar a comunidade pode entrar no site para verificar sobre os próximos eventos ou mandar e-mail para comunidade@dominussalus.com.br.


Link original: https://www.jj.com.br/especiais/fe-orientacao-e-trabalho-%c2%91ampliados%c2%92/

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