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Mais informada, nova geração de mulheres denuncia agressões

Fábio Estevam | 13/10/2019 | 05:00

Mais de 50% das mulheres agredidas no Brasil em 2018 não fizeram nenhum tipo de denúncia contra seus agressores, mesma porcentagem de 2017 – um total de aproximadamente 2,5 milhões de mulheres. Dessas, apenas 15% pediram ajuda a algum familiar; 10,3% procuraram a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher); 8% foram a uma delegacia comum; e 5,5% ligaram para 190 (Polícia Militar). Os dados são da 2ª edição do estudo Vitimização de Mulheres no Brasil, relacionados a 2018 e divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública neste ano. Entretanto, apesar de considerados baixos, se comparado há décadas anteriores a de 1980, esses números são um grande avanço do empoderamento feminino, segundo especialistas ouvidos pelo Jornal de Jundiaí.

Para Renata Yumi Ono, delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Jundiaí, a internet é uma das grandes responsáveis para que as mulheres façam muito mais denúncias nos dias atuais, do que 30 anos atrás ou mais. “A internet possibilitou uma facilidade maior por busca de informação. Através da internet as mulheres se mobilizam, conversam, estudam, têm acesso a notícias com maior facilidade. Paralelamente, as redes sociais também têm um papel importante nisso”, disse ela.

A ativista, feminista e fundadora de Rede Valentes, Mariana Janeiro, concorda que a internet tem se tornado cada vez mais uma arma das mulheres que não aceitam ser agredidas. E foi mais além. “É uma questão de empoderamento, mesmo. Por conta de mudança cultural, com políticas públicas e sociais. Foi um conjunto de fatores ao longo dos anos que fizeram com que hoje as mulheres denunciem mais, não aceitem as agressões, que são físicas, psicológicas e verbais.”

“O aumento da quantidade de denúncias é proporcional ao aumento da violência contras as mulheres. Tem mais denúncias, sim, mas também porque há um aumento da violência.” É nisso que acredita a guarda municipal Andreia Aparecida de Melo Pontes, coordenadora do Patrulha Guardiã Maria da Penha, um projeto do Ministério Público. “Falta muito ainda. Muitas não denunciam porque têm medo, porque sabem que serão julgadas. Preferem contar a um amigo do que ir à polícia. Vão ao médico cuidar dos ferimentos, mas não fazem o boletim de ocorrência”, salientou ela, que comanda outros três guardas (dois homens e uma mulher) na patrulha. Hoje, 75 mulheres vítimas de agressão e que são protegidas por medidas protetivas são acompanhadas pela patrulha guardiã.


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