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Traços de vidas que se imortalizam

| 27/09/2014 | 21:47

Eles têm histórias para contar. Afinal, não é todo mundo que consegue chegar aos 78 anos de idade com a vitalidade de dona Nair de Castro da Silva. É ela que assina um dos 40 desenhos que até o fim deste ano devem ganhar os muros da Cidade Vicentina Frederico Ozanam, em Jundiaí.

Intitulado de “Mãos em Ação”, o projeto foi criado com o objetivo de resgatar a autoestima e permitir a socialização entre os moradores da instituição. “A arte é uma forma de expressão muito importante para estas pessoas, que também encontraram no desenho mais uma ocupação”, lembra a supervisora de marketing da entidade, Mônica Cruvinel.

Quem comemorou a novidade foi Dirce Zarpão Caresato, 78 anos, que reproduziu um vaso de flores colocado em cima da geladeira. “Estava sem muita inspiração e como sempre gostei de desenhos coloridos achei que ficaria bacana.”

De acordo com a psicóloga da Cidade Vicentina, Cintia Mazzeto Diniz da Costa, os trabalhos têm revelado parte da história dos assistidos que poucos conheciam. “Seu José Pedroso, de 74 anos, é um exemplo disso. Enquanto estava na ativa, ele trabalhou como eletrecista, tendo sido, inclusive, responsável por levar energia para muitas casas de Jundiaí. Seu desenho corresponde ao seu trabalho e veio carregado de emoção”, relata.

E assim, Fuscas, casas, árvores, flores e pássaros surgem pelas mãos dos demais moradores-idosos da Cidade Vicentina, como Irma Furlan e Benedita Scarabelo, que embelezam o alto desta página.

Arte em ação – Concluída esta etapa de produção dos desenhos, que deve envolver todos os 92 idosos da Cidade Vicentina, além dos 20 moradores da Creche do Idoso, entra em cena uma equipe de aproximadamente 20 artistas, a quem caberá transformar a entidade em uma “galeria de arte ao ar livre” feita pelas mãos dos idosos. Para a grafiteira Mer Andrez, a arte é a melhor forma de expressão de sentimentos. “Para estas pessoas que viveram uma vida toda, os trabalhos sempre nos surpreendem. Por isso, é uma imensa satisfação poder contribuir com este projeto”, declara.

Um sentimento que se estende à também grafiteira Gika (Giovana Vasconcelo) que desenvolveu trabalho voluntário na Fundação Casa. “Pela arte é possível resgatar as pessoas. É um choque visual na realidade. Uma obra de arte vale mais do que qualquer palavra”, acredita. Com a criatividade dos idosos e o olhar clínico dos artistas, resta ainda a captação de recursos para que as mãos possam entrar em ação. “Neste momento, nossa prioridade é conseguir tinta para produzir nos muros – internos e externos – os desenhos feitos pelos idosos”, explica o presidente da entidade, Jonas Fernandes Brescansin.


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