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Em meio a calendário incerto, João Menezes se adapta rumo a Tóquio


João Menezes (Brasil), medalha de ouro, enfrenta Tomás Barrios (Chile) na final do tênis dos Jogos Pan-Americanos Lima 2019. Local: Club Lawn Tennis, em Lima (Peru). Data: 04.08.2019. Crédito obrigatório: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte.gov.br
Crédito: Reprodução/Internet

Devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), a temporada do tênis mundial em 2021 será tão ou mais atípica que em 2020. Até o momento, o circuito Challenger, primeiro nível de torneios da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), só tem etapas confirmadas até março. Um desafio a mais no planejamento de João Menezes para o principal desafio no ano: os Jogos de Tóquio (Japão), entre 23 de julho e 8 de agosto.

“Depois [de março], ainda não sabemos como será, então, não dá muito para fazer a programação. Vamos pelo momento, mês a mês, semana a semana, jogando o máximo de torneios, se possível em quadra dura, pois com certeza [a disputa] em Tóquio será em quadra dura”, analisa o mineiro de Uberaba (MG), atualmente na 193ª posição do ranking mundial e número três do tênis brasileiro em simples.

João está atualmente na Turquia para dois torneios. Neste domingo (17), ele estreia no qualificatório do Challenger de Istambul, cuja chave principal começa na segunda-feira (18). Na outra semana, o mineiro de 24 anos tem pela frente o Challenger de Antalya.

Normalmente, o calendário do circuito mundial é dividido em fases, sendo cada uma voltada aos diferentes tipos de pisos (duro, saibro ou grama). Em 2021, porém, o cenário instável da pandemia misturou as etapas. Em Istambul, por exemplo, o piso é duro, onde a bola corre com mais velocidade, e a quadra é coberta. Em Antalya, a superfície é o saibro, em que o jogo é mais lento, e o local é aberto.

“Quem tiver o melhor poder de adaptação, principalmente neste início de ano, leva vantagem. Em uma quadra coberta, por exemplo, a bola quica muito menos, é difícil tirá-la da linha da cintura. Na quadra rápida, ela desliza mais. O tipo de batida na bola em um tipo de piso tem mais efeito do que em outro”, explica João. “O número de torneios reduziu drasticamente. A gente não tem muita opção, tem de jogar o que aparecer, quem sabe conseguir emendar torneios em sequência”, completa.

Em ascensão

A vaga em Tóquio veio graças à classificação para a final individual dos Jogos Pan-Americanos de Lima (Peru), em 2019. João coroou a campanha, na qual eliminou o chileno Nicolas Jarry (número 55 do mundo à época) nas quartas de final, com a medalha de ouro. Na decisão, ele superou outro chileno: Tomás Barrios, 286º do ranking mundial na ocasião. A conquista não trouxe ao mineiro apenas um lugar na história do esporte brasileiro, como o sexto tenista do país a vencer o torneio de simples do Pan.

“Deu visibilidade, sem dúvida. Comecei a ser um pouco mais conhecido no Brasil. Por meio do Pan, consegui os dois primeiros patrocinadores. Considero a minha maior conquista e o momento mais especial da carreira até hoje”, destaca João, que, para manter o lugar na Olimpíada, tem de seguir entre os 300 primeiros do mundo até o próximo dia 7 de junho.

O título pan-americano e a vaga olímpica marcaram a ascensão de João após percalços no início de carreira profissional. Entre 2014 e 2016, o mineiro operou três vezes o joelho e teve hérnia de disco. A sequência de lesões fez o mineiro pensar em parar de jogar. Um telefonema de seu pai para Rafael Kuerten, irmão do ex-número um do mundo Gustavo Kuerten, o Guga, abriu-lhe um novo horizonte.

“O Rafael disse que o Hugo Daibert, técnico do Bruno Soares [tenista brasileiro, sexto do ranking mundial de duplas], estava indo para Barcelona [Espanha] com um pessoal para treinar. Passamos uma semana lá, treinei bem para caramba e fiquei por um ano e seis, sete, meses. Foi um período fantástico, de muito aprendizado. Saí da zona de conforto, conheci outra cultura, treinei com alguns dos melhores do mundo”, recorda João, que teve como um dos parceiros de quadra o russo Andrey Rublev, oitavo do ranking da ATP.

A solidão na Espanha foi decisiva para João retornar ao Brasil. A experiência no Velho Continente, porém, deu gás para o mineiro alavancar a melhor fase da carreira. Em 2019, antes do ouro no Pan, ele tinha conquistado o Challenger de Samarkand (Uzbequistão). No ano passado, sagrou-se campeão do Challenger de Iasi (Romênia) nas duplas masculinas, ao lado do gaúcho Rafael Matos, com quem foi vice da chave juvenil do US Open, um dos quatro principais torneios do circuito mundial, em 2014.

O objetivo de João é se aproximar do top-120 do mundo até dezembro. A competição prioritária em 2021, porém, é mesmo a Olimpíada.

“Não gosto de colocar muita expectativa, não [risos]. No Pan, cheguei meio despretensioso e as coisas foram tomando rumo. Quando você ganha um ou dois jogos na chave, vê que tem chance de beliscar algo mais. Caso você não seja um favorito extremo, como um [Novak] Djokovic [tenista sérvio e número um do mundo], tem de pensar jogo a jogo, quem sabe fazer uma boa primeira rodada, pegar ritmo e fazer um bom torneio, mas sem se pressionar tanto”, conclui.


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