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Árbitros obedecem à 'lei da mordaça' no Brasil

RESTRIÇÕES Sob pena de gancho, profissionais seguem regras sobre visual, tatuagens e afins


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Já estabelecido no quadro da FIFA, Anderson Daronco é um dos poucos que quebram as duras determinações
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Sob pena de gancho, os árbitros de futebol no Brasil não podem ter barba e, por isso, precisam se apresentar de cara limpa aos jogos em que são escalados. Não podem ter cabelo grande - com exceção das mulheres, é claro. Também é de bom tom evitar tatuagens. Anderson Daronco recentemente até fez uma no braço, mas só depois de se consolidar na elite da arbitragem, com seis anos de quadro da Fifa, e ainda assim numa região em que a manga da camisa cobre mais da metade do desenho.

Todas essas são regras veladas. Fazem parte da cultura da arbitragem, embora não estejam escritas em lugar algum - e há vários exemplos de quem foi punido por descumpri-las. Mas há também as normas restritivas descritas em regulamento. Como, por exemplo, a de que árbitros não podem ter nome sujo no Serasa ou SPC, instituições que avaliam crédito e dívidas; os limites de idade que sobrepõem a capacidade física e técnica; e a obrigação de manter "boa conduta e elevada postura moral" fora das quatro linhas.

Há pouco tempo, no Rio de Janeiro, alegando que havia recebido reclamações sobre o tema, a comissão de arbitragem oficializou por meio de um comunicado a necessidade de estar "bem apresentado e asseado" na chegada ao estádio. Ter asseio significa estar limpo, higiênico.

Diante desse cenário, existe o que ex-árbitros e gente do meio chamam de "lei da mordaça". Como juízes e bandeirinhas recebem por jogo trabalhado (apesar de não haver o vínculo empregatício que lhes garanta direitos trabalhistas), eles dependem exclusivamente de quem faz a escala para conseguir botar dinheiro no bolso. Com o risco de retaliações, portanto, não falam, não postam e não dão entrevistas.

"Os árbitros pouco se posicionam", reconhece Salmo Valentim, presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol.

 


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