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Beth Gomes é ouro aos 56 anos no arremesso

TÓQUIO A brasileira chegou à tão sonhada medalha dourada batendo recorde mundial com 17,62m


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Em Tóquio, Beth Gomes se tornou a brasileira mais velha a ganhar uma medalha olímpica, aos 56 anos
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A história de Elizabeth Gomes com os Jogos Paralímpicos começou há 13 anos em Pequim-2008. Lá, ela defendeu a seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas. Depois, trocou de esporte, tinha chance de disputar a Rio-2016, mas a prova dela não aconteceu. No ciclo para Tóquio, colecionou recordes mundiais e foi campeã do mundo em 2019.

Faltava, no entanto, a medalha de ouro da Paralimpíada. Não falta mais. Saiu, finalmente, na manhã desta segunda-feira (30) no lançamento de disco da Classe F53 com a incrível marca de 17m62, novo recorde mundial, superando os 16m89 que ela mesma havia marcado no Mundial de 2019.

Elizabeth Gomes não teve adversárias. Como acontece em todas as provas de lançamento de disco disputadas por atletas com pouca mobilidade, cada competidor fica preso a uma cadeira enquanto faz seis arremessos seguidos. Depois que acaba, vem o próximo e assim por diante. A brasileira foi a nona e última a entrar na briga, já sabendo o que precisava fazer para conquistar a medalha de ouro.

A disputa foi quente só antes da brasileira entrar. Logo de cara, a ucraniana Zoia Ovsii cravou 14m37 e bateu recorde paralímpico da Classe F51. A seguir, a iraniana Elnaz Darabian bateu o recorde asiático da F53 com 12m49. Outra ucraniana, Iana Lebiedieva, foi a sexta a competir e derrubou outro paralímpico, da F53: 15m48. Cassie Mitchell, dos Estados Unidos, marcou 14m16 e a russa Elena Gorlova, com 12m79, melhor dela na temporada.

Beth Gomes foi então para a área de lançamento e acabou com a brincadeira. Bateu todas as adversárias e garantiu o ouro logo no primeiro lançamento, 15m68, recorde paralímpico na classe dela desbancando os 13m39 da tcheca Matina Kniezkova que durava já 13 anos, era de Pequim-2008. Foi pouco para a brasileira e ela elevou a marca na segunda tentativa: 16m35.

Queimou a terceira e a quarta e, na quinta, lançou o disco a impressionantes 17m33. Ali mesmo caiu no choro. Mas ainda era pouco e na última tentativa mandou nos 17m62. Chorou ainda mais, copiosamente, tirou foto ao lado do placar com a marca, passeou pelo Estádio Olímpico. Era pura emoção.

A nova campeã paralímpica entreou para o esporte adaptado depois que foi diagnosticada com esclerose múltipla.


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