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Referência do boxe nacional, Paulo Ébano treina em Jundiaí

MOTIVAÇÃOBoxeador encarou momentos ruins em sua vida e, a partir disso, ajudou a criar um método para usar o esporte como ressocialização


LUCAS HIDEO
Paulo Ébano acredita no boxe como uma forma de melhorar a saúde física e mental
Crédito: LUCAS HIDEO

Aos 68 anos, o treinador e ex-boxeador Paulo de Souza, popularmente conhecido como 'Paulo Ébano', um dos precursores do 'boxe recreativo', continua praticando e ensinando o esporte em Jundiaí.

Ébano começou a carreira como boxeador amador, passou por grandes dificuldades pessoais, que o fizeram mudar seu pensamento sobre o esporte, e depois rodou o país apresentando de forma recreativa a modalidade, para ajudar jovens a melhorar de vida, seja física ou psicologicamente.

"Comecei aos 12 anos, em São Paulo, na antiga sede da Polícia Civil, onde trabalhava na cozinha também. Em 1969, após quatro anos treinando, iniciei nas competições amadoras, no Campeonato Interclubes, onde tive a oportunidade de fazer intercâmbios no Paraguai e Argentina. E, na minha primeira participação, acabei me sagrando campeão juvenil da categoria peso leve."

Depois de pegar o gosto, Ébano continuou participando de grandes torneios. Conquistou o Campeonato Juvenil, o Intercontinental (nível Sul-Americano), na Colômbia, e o Paulista. Além disso, o atleta também foi 'sparring' no México, treinando com grandes nomes do país.

Ao voltar para o Brasil, no início da década de 70, disputou mais alguns campeonatos até começar a ter problemas em sua vida pessoal. "Dei uma descaminhada na vida, acabei me juntando com más companhias e me perdi. Depois, peguei isso como uma motivação, para tomar atitudes, e acredito que as pessoas merecem uma segunda chance sim. Nós temos que acreditar na humanidade."

BOXE RECREATIVO

Após superar seus piores anos, ao final da década de 80, Ébano percebeu o quanto o esporte pode salvar vidas e iniciou um projeto para difundir o boxe como uma alternativa de ressocialização.

Então, como treinador, Ébano e outros professores desenvolveram o sistema de trabalho do 'boxe recreativo'. "É um boxe para todas as pessoas de todas as idades, que foca nos exercícios, na saúde e no conhecimento do esporte, ou seja, faz as pessoas entenderem o boxe, sem entrar na filosofia competitiva, de ringues, em que os atletas se machucam bastante".

Iniciando as atividades no interior de São Paulo, inclusive em Jundiaí (nos anos 90), na antiga 'Academia Bronx', onde apresentou o boxe recreativo para Daniel Smith, o treinador também viajou pelo Brasil, a convite de grandes academias, para apresentar a modalidade.

Ébano nunca chegou a ser profissional, mas, em 1993, participou do Comitê Olímpico Internacional, em São Paulo, com o 'Boxe de Solidariedade Olímpica', junto a outros renomados treinadores brasileiros. Lá, Paulo conseguiu um diploma de técnico de boxe amador.

Hoje em dia, Paulo é morador de Várzea Paulista e continua praticando o boxe, na Academia Gym Nation, em Jundiaí. "Para mim é algo terapêutico e, como estou no aguardo de uma cirurgia, também ajuda a manter a saúde em dia. Sou muito grato por tudo que vivi nesse esporte".


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