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Iniciantes e experientes vão à luta na tradicional São Silvestre

Thiago Batista | 29/12/2019 | 09:00

Jundiaí estará presente novamente na Corrida Internacional São Silvestre, em São Paulo, amanhã (31), com corredores participando da 95ª edição da competição. Alguns já estiveram várias outras vezes. Outros viverão a sensação de participar pela primeira vez. É o caso de Antônia Sônia Rodrigues, a ‘Tuca’. E está ansiosa em percorrer os 15 quilômetros da mais tradicional corrida do atletismo no país.

“A ansiedade está a mil, já que é uma das corridas que gostaria de fazer e é um desejo antigo”, conta a camareira de 44 anos. Ela está realizando um verdadeiro sonho ao participar da prova que ocorre no último dia do calendário. “Sou viciada em corridas de rua e a São Silvestre é o sonho de todas. Espero fazer um bom tempo na prova. Minha meta é fazer em uma hora e pouco”, completa ela, que corre há quatro anos.

Quem também estará pela primeira vez é a enfermeira Elaine Crepaldi. Estar na São Silvestre não está tirando seu sono a poucos dias da corrida. “Não fico sem dormir porque corro em provas durante o ano todo, até com mais quilometragem. E lá vai ter a energia das pessoas e do movimento todo”, explica.

Sensação diferente estará vivendo Melqui Cirino, o Deco. Pela nona vez ele participa do evento. E diz que é sempre uma experiência nova. “A primeira vez é sempre diferente, pois a gente não conhece o percurso. Depois, é somente a ansiedade que chegue a hora. É uma emoção muito diferente a cada prova”, afirma.

Antônio Raimundo de Souza também estará presente pela quarta vez na corrida. O aposentado de 72 anos diz vai para São Silvestre para se sentir feliz. “A gente vai lá para se divertir e brincar. Para mim isso é tudo. Nem me preocupo com tempo que vou fazer”, conta.

Preparação
Para a corrida de rua mais tradicional do país, a preparação dos atletas é intensificada. “Corro três vezes por semana normalmente, mas, para a São Silvestre, nos últimos três meses fiz semanalmente entre 12 e 15 quilômetros”, diz Deco.

A novata Elaine fez uma planilha de atividades para sua preparação nos último 45 dias. “Intensifiquei o treinamento com mais distância e resistência em seis semanas e de forma intensa”, conta.

Até mesmo para a temida subida da avenida Brigadeiro Luiz Antônio a enfermeira diz estar preparada. “Treinamos semanalmente e pegamos percursos mais difíceis que a Brigadeiro. A minha meta é chegar bem. Não dá para ter meta de tempo por causa da aglomeração que existe na largada. O importante é chegar bem.”

A Corrida de São Silvestre começou a ser de manhã no ano de 2012. Deco chegou a participar das provas à tarde e, para ele, os corredores sentem mudanças no corpo quando a prova começa às 8 horas em relação às 17 horas. “Muda muito para o atleta. A tarde você dá a partida e a temperatura começa a melhorar. De manhã, a temperatura aumenta e complica um pouco mais”, explica. “Eu acho que a magia da prova continua, pois é uma corrida maravilhosa”, acredita Tuca.

Sem pódio
Os corredores de Jundiaí reconhecem que chegar ao pódio da prova mais tradicional é um sonho impossível. “Atletismo não tem lugar para zebra”, lembra Deco. “Na São Silvestre quero fazer tempo bom. Cheguei a fazer em 1h23min e vou tentar bater, mas gente sai muito atrás”, completa.

Para Elaine, o melhor é fechar o último dia do ano correndo. “O sonho é continuar correndo e ter energia de chegar lá. Pódio é consequência do trabalho. A maior felicidade é sair do sedentarismo, mudança de hábito e vida”, finaliza.

‘Seu Valdemar’ corre descalço

Valdemar Gomes Camisão será um dos 35mil corredores na São Silvestre. Só que ele será um dos mais diferentes a participar da prova, pois vai correr descalço. Ele não usa tênis para correr nas mais diversas provas. Nem mesmo quando participava da São Silvestre na virada do ano.

“Corri sempre descalço. E já me acostumei, pois corri a Meia de Porto Seguro, Corrida da Pampulha e Meia Maratona de Buenos Aires, além das corridas em Jundiaí, sempre deste jeito”, conta o eletricista aposentado, de 69 anos.
Querido pelos corredores do Time Jundiaí, Valdemar sente-se mais confortável quando não usa qualquer tipo de calçado nas ruas. “Se eu correr descalço, sinto que estou com um tênis macio e, com calçado, perco um pouco de velocidade”, lembra.

Desde os anos 80 participando de corridas de rua, o aposentado conta que jamais sofreu qualquer tipo de lesão, mesmo descalço. “A probabilidade de eu machucar o pé é a mesma de eu ganhar a Mega-Sena três vezes sozinho”, brinca, sempre mostrando seu tradicional bom humor.

Saudades da noite
A Corrida de São Silvestre entre 1925 e 1988 era disputada à noite. De 1999 a 2011, a prova ocorreu no período da t tarde. Desde 2012, a organização optou em colocar a largada logo pela manhã. Para ele, quando a largada era às 23h30 do dia 31 era melhor, mesmo com as pessoas passando a virada de um ano para o outro longe dos seus familiares.

“Para mim a noite era bem melhor, mais fresco. Eu chegava às 2 horas da manhã em casa e dava para curtir ainda um pouco da festa com a família”, lembra.

Sobre a chance de vencer a prova em sua categoria, ‘seu Valdemar’ ironiza. “É mais fácil acertar uma chinelada na lua do que eu ganhar a São Silvestre”, conta. “Se tiver descida é mais fácil, pois desço rolando”, completa, sempre rindo.

Para Valdemar, o prazer em correr só trouxe benefícios à sua saúde. Mesmo com a idade, não precisa tomar nenhum tipo de remédio. “Em uma corrida em Limeira, o motorista que levada a gente questionou porque a gente gastava tanto com corrida. Eu respondi que não gastamos nem dinheiro e nem com farmácia”, conta.

Prova terá recordista da maratona

A Corrida Internacional de São Silvestre confirmou destaques internacionais na prova. Entre os nomes de peso estarão os quenianos Brigid Kosgei – atual recordista mundial de maratona, e Paul Kipchumba Lonyangata – campeão da Maratona de Paris 2017.

Brigid Kosgei, de 25 anos, tem qualificação Platinum (platina) na World Athletics. Ela venceu neste ano a Maratona de Chicago (EUA), com o tempo de 2h14min04s, estabelecendo a melhor marca para a distância. Também foi a primeira em 2019 na Bahrain Night Half Marathon Manama, com 1h05min28seg.

Paul Kipchumba Lonyangata, de 27 anos, está qualificado como Golden (ouro), venceu a Maratona de Paris (FRA) em 2017, com 2h06min10s, e foi terceiro colocado neste ano da Meia Maratona de Buenos Aires (ARG), com 59min29s. No currículo, ainda consta o bicampeonato da Maratona de Shangai, na China.

Serão cerca de 150 atletas considerados de elite. A partir da 95ª edição, a corrida passa também a ser da categoria Road Race Bronze Label da Wolrd Athletics, entrando para o rol das principais do mundo. Isso significa possuir critérios técnicos de qualificação que garantirão a presença de alguns dos melhores corredores do mundo.

Horários
A programação de largadas no dia 31 começa mais cedo, a partir das 7h25, com a largada da categoria cadeirantes. Em seguida, a partir das 7h40, será a vez da elite feminino, ficando para as 8h05 a elite masculino, pelotão C, e cadeirantes com guia e pelotão geral.

Cinco dicas para ir bem na corrida

Poderia ser apenas uma competição comum, mas diversos fatores fazem a São Silvestre ser diferente. São mais de 90 anos de tradição passando pelos pontos mais característicos de São Paulo. O último dia do ano também interfere no andamento da prova, já que as emoções estão afloradas.

Outro fator é o tempo. No Brasil, dezembro é um dos meses mais quentes do ano. A quantidade de pessoas e os desníveis do percurso também são perceptíveis. Apesar de ter ‘apenas’ 15 quilômetros, caminhos planos dividem espaço com descidas e subidas. Para não fazer feio, confira seis dicas para a prova.

Ritmo

Para o treinador Aulus Sellmer, a corrida de São Silvestre pode ser dividida em três partes. “Os cinco primeiros quilômetros podem ser feitos de forma conservadora. A metade da prova, um pouco mais rápida. Quando chegar nos últimos cinco quilômetros, a dica é desacelerar, porque tem a subida da avenida Brigadeiro”, sugere.

Largada
A corrida tem largada prevista para as 8 horas em pelotão único. Porém, para garantir um lugar à frente, muitos atletas chegam cedo demais e isso faz com que fiquem um bom tempo exposto ao sol. Para evitar desgaste desnecessário, o ideal é fazer a programação com antecedência e, quem sabe, abdicar de largar entre os primeiros.

Água
Para Laís Coelho, nutricionista, o atleta deve consumir 500ml de água (3 e 1/2 copos) duas horas antes da prova. Meia hora antes de largar, a recomendação de consumo muda para 200ml. Na competição, o ideal é consumir entre 180 e 300ml de água a cada vinte minutos.

Café da manhã
Para a especialista Laís Cardoso, o café da manhã deve ser feito de duas a três horas antes da largada. A melhor escolha? Carboidratos, é claro. Pão branco, bolo simples ou tapioca.
Esqueça a barrinha de cereal em casa, já que as fibras contidas podem provocar desconfortos gastrointestinais. Frutas sem casca, pão integral e alimentos gordurosos também devem ser evitados.

O bicho papão
A subida da avenida. Brigadeiro Luis Antônio é conhecida como pior trecho da São Silvestre. Mas será que é mesmo? Segundo o treinador Nelson Evêncio, é.

“Quando o corredor chega na Brigadeiro, normalmente já está cansado e o corpo, hiperaquecido”, conta.

Só que não deve se desesperar. “O atleta deve correr olhando para baixo, sem olhar muito para o final da subida. Isso ajuda a enganar o psicológico, já que paramos de pensar que falta muito”, esclarece.

 


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