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Chefe da Uefa vê Copa da Rússia como cobaia para a videoarbitragem

DA FOLHAPRESS - redacao@jj.com.br | 02/03/2018 | 19:42

O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, usará a Copa do Mundo da Rússia, em junho e julho, como uma espécie de cobaia para avaliar o VAR (video assistant referee), o sistema que auxilia os árbitros por meio de replays. Nesta semana, ao informar que a ferramenta não será utilizada na edição 2018/2019 da Liga dos Campeões da Europa, o esloveno declarou ainda não ter confiança no VAR. “Não devemos apressar uma decisão. Para mim, tem havido confusão [em relação ao uso do VAR] de vez em quando. Temos que instruir os árbitros adequadamente”, disse o chefe da entidade que rege o futebol no velho continente. “Isso não que dizer que eu seja contra.” Ceferin continuou: “Ninguém sabe exatamente como funciona, o que pode ser um grande problema. Vamos ver o que acontece na Copa do Mundo e então decidiremos.”

T_fifaNeste sábado (3), a International Board (órgão que regulamenta as regras do futebol) decidirá se a videoarbitragem será ou não utilizada do Mundial russo. É esperado que o “sim” ao VAR seja dado. O sistema tem sido tentado faz um par de anos em alguns países e tem recebido mais elogios do que críticas. Para quem não se lembra ou nunca ouviu falar, resumo o funcionamento do VAR. Em quatro situações de jogo (lance de gol; lance de pênalti; lance de expulsão; erro de identidade de um jogador em uma punição), podem ocorrer duas situações: Ou o árbitro de campo para a partida a fim de consultar o árbitro de vídeo (profissional que fica em uma sala no estádio ou nos arredores do estádio ou em uma central não necessariamente próxima do estádio) para tirar a dúvida; ou o árbitro de vídeo alerta o árbitro de campo acerca de um possível erro. Isso ocorrendo, o árbitro de campo vai até a lateral do gramado, assiste ao lance em vários ângulos e confirma ou anula a decisão anteriormente tomada. A grande vantagem do VAR (ou a sua finalidade): ampliar a gama de acertos da arbitragem. O futebol é repleto de lances duvidosos, que muitas vezes o olho humano não é capaz de identificar -o impedimento é um exemplo claro disso, já que centímetros definem se determinado jogador está ou não em condição de jogo. As maiores desvantagens: a interrupção da dinâmica do jogo e a desinformação de quem o acompanha. Muitas vezes são necessários vários minutos até que o árbitro assista à jogada no monitor e mantenha ou altere sua decisão. Além disso, o torcedor, no estádio, e quem assiste pela TV muitas vezes nem sabe o que está sendo analisado.

Nesta temporada, a Inglaterra, berço do futebol moderno (jogado a partir da segunda metade do século 19), resolveu testar o VAR em algumas partidas de Copas, seguindo o que países como Itália, Holanda e Alemanha já vinham fazendo em seus campeonatos nacionais. Houve queixas, muitas delas duras, de treinadores, jogadores e comentaristas. O exemplo mais recente é desta semana. Depois de Tottenham 6 x 1 Rochdale, pela Copa da Inglaterra, no estádio de Wembley, em Londres, o lateral-esquerdo Danny Rose, do Tottenham e da seleção inglesa, mostrou sua decepção com o VAR. “É totalmente absurdo ficar esperando sem saber o que está acontecendo. Chega a ser ridículo. Recebi algumas mensagens dizendo que o VAR é uma bagunça. É muito confuso e frustrante. Uma péssima experiência”, disse ele, que também reclamou da quebra do ritmo do jogo para aguardar o veredicto de cada revisão de lance. No primeiro tempo, o árbitro Paul Tierney recorreu ao auxílio tecnológico em ao menos quatro ocasiões, nas quais jogadores e torcedores tiveram de esperar por até dois minutos sob um clima nada ameno (neve e temperatura abaixo de zero).
Para Rose, tão ruim quanto a espera e a desinformação é o VAR se tornar o personagem de um jogo, deixando em segundo plano o desempenho dos atletas. “Sinto pelo Rochdale (clube da terceira divisão). Alguns de seus jogadores estiveram pela primeira vez em Wembley (um dos templos do futebol e atual casa do Tottenham) e foram completamente ofuscados.” O treinador do Tottenham, Mauricio Pochettino, foi além na reclamação e decretou: “Vai matar a emoção do futebol”. “Temos os melhores árbitros da Europa, do mundo, e não acho que precisemos de mais que isso. Os erros fazem parte do futebol, os jogadores cometem erros, os árbitros cometem erros. Sempre foi assim, e eu entendo que o futebol é assim”, disse o argentino, um dos bons nomes da nova safra de técnicos.  “Se seguirmos nesse rumo, estaremos mudando o jogo que amamos.”


LUÍS CURRO, DA FOLHAPRESS
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