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Chutando o balde – por Heitor Freddo (11/11/2018)

HEITOR FREDDO | 11/11/2018 | 15:30

Bolsonaro e CBF – uma Petraglia no sapato

 

Num país em que o futebol é parte da nossa cultura, movimenta milhões de pessoas e bilhões de reais para a economia, é impossível não colocar o assunto em pauta quando um novo governo federal se inicia. E o presidente eleito Jair Bolsonaro, que se orgulha em assumir não conhecer determinados assuntos e por isso se cercar de especialistas” – que vão do “Posto Ipiranga” da economia ao astronauta na ciência – também tem um guru para os assuntos esportivos: Mário Celso Petraglia.

A influência de Petraglia no Atlético-PR é tamanha que poucos sabem que ele não é mais o presidente da entidade, mas “apenas” presidente do conselho deliberativo. O estilo de trabalho autoritário e personalista é responsável pela mesma associação que Eurico Miranda há décadas tem com o Vasco – e aqui não estamos comparando pessoas, nem formas de trabalhar, mas apenas a personalização do líder.

O clube paranaense serviu de cabo eleitoral para o candidato do PSL nos dois turnos eleitorais, com camisetas amarelas e faixas nada discretas sobre as vontades de seu comandante, que não mediu esforços em participar ativamente da campanha. É inevitável pensar que os frutos serão colhidos agora,

O nome de Mário Celso Petraglia foi muito cotado para assumir um cargo na pasta de Esportes – que será fundida aos orçamentos de educação e esportes. Mais uma vez o esporte é menosprezado por um governo, mesmo sendo repetido por todos os políticos a importância de tratar o esporte com uma atenção fundamental na base, oferecendo atividades em comunidades carentes para apresentar aos jovens caminhos para o futuro.

Todos os programas políticos municipais, estaduais e federais falam isso há décadas e absolutamente nenhum coloca em prática. Jair Bolsonaro claramente trata o esporte como gasto passível de ser reduzido.

O portal UOL trouxe esta semana a informação de que Petraglia, na verdade, não assumiria um cargo no governo, mas seria o elo entre Bolsonaro e as autoridades do futebol representadas pela CBF. E isso sim pode ter um reflexo revolucionário. E a CBF certamente olha com receio aos caminhos futuros.

Petraglia é um dos maiores críticos ao comando do futebol. Desafeto dos comandantes da entidade, ele sempre está envolvido em ações que tentam mudar a estrutura atual do futebol – do apoio aos opositores à criação da Copa da Primeira Liga na tentativa de dar aos clubes a responsabilidade de organizar os campeonatos nacionais. Petraglia também puxa a fila dos que são contrários aos campeonatos estaduais, sendo o Atlético o primeiro time a ter a coragem de desprezar a competição usando um time de base.

A presença de Mario Celso Petraglia no governo seria irrelevante. O elo que ele pode criar entre governo e CBF não. O presidente da república não tem o poder de intervir na entidade do futebol – sob pena severa da Fifa. Mas ninguém é ingênuo a ponto de acreditar que a CBF não precise dialogar bem com o poder.

Assuntos ainda periféricos vão ganhar destaque nos próximos meses. Por exemplo: a renovação de contratos de televisão. O presidente eleito tem uma ótima relação com a Rede Record, que nunca mediu esforços para pisar nos calos da Globo.
Não espere grandes mudanças na base do esporte com Petraglia, mas no futebol profissional muita coisa pode acontecer. E se vai ser bom ou ruim, só o tempo dirá.

 

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