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Heitor Freddo: Campeonato paulista – quem manda é a Globo

HEITOR FREDDO | 28/10/2018 | 13:00

Campeonato Paulista: quem manda é a Globo

Na última terça feira representantes de 15 dos 16 participantes do Campeonato Paulista se reuniram na sede da Federação Paulista de Futebol para discutir o regulamento da edição de 2019. Discutir, na verdade, é uma força de expressão. Os presidentes até expressaram indignações com a fórmula, mas o argumento financeiro falou mais alto. E a resposta para tudo está no interesse de transmissão da Rede Globo, responsável por ainda pagar uma fortuna por um produto que perde a cada dia o interesse público. Um diretor de futebol de uma das equipes me confidenciou que os próprios presidentes concordaram que é justo a Globo dar as cartas diante da verba oferecida por ela.

O Palmeiras, como já havia anunciado publicamente, não marcou presença como forma de protesto por ter se sentido lesado por uma suposta interferência externa na decisão desse ano que deu o título ao Corinthians. Mas a rebeldia alviverde tem os dias contados.
Um dos primeiros tópicos citados na reunião foi a limitação do uso de times alternativos. O presidente Mauricio Galiotte anunciou que o Palmeiras disputaria o Paulistão com um time Sub 20. Isso não será possível.

O regulamento permite a inscrição de 26 atletas profissionais e uma segunda lista ilimitada com jogadores da base. Mas apenas 5 jovens do time secundário podem ser relacionados para cada partida, ou seja, a televisão quer ao menos 6 jogadores mais renomados para serem vendidos ao público – seja na concorrida TV aberta, seja para justificar a mensalidade do Premiere.

O Palmeiras então vai ter que jogar o Campeonato Paulista, goste ou não. Romper com a FPF não é uma escolha, já que o Brasil exige que os participantes dos torneios nacionais disputem as competições estaduais.

Ainda na reunião, os clubes reclamaram do formato de disputa mantido dos últimos anos, com a divisão das equipes em quatro grupos sem os confrontos diretos pela classificação dentro das chaves na primeira fase. Praticamente todos concordaram que a fórmula não faz justiça com equipes que muitas vezes ficam de fora com pontuações maiores do que os classificados. A Federação deu razão aos clubes, mas disse que uma mudança drástica estava fora de cogitação por um motivo que nem cabia debate: a Globo exigia assim.

Não que o regulamento seja o sonho da TV, mas esse formato permite que a cada três rodadas aconteça um clássico. E quando menos se percebe, já tem mata mata.

A única vitória dos clubes menores ainda não foi divulgada publicamente: o Troféu do Interior terá uma mudança importante. A equipe de fora da Capital (exceto o Santos) que for eliminada nas quartas de final com a melhor campanha terá a oportunidade de disputar o “prêmio de consolação”.

A revolta era ver times que brigaram contra o rebaixamento terminarem o campeonato com 250 mil reais no cofre e uma vaga para a Copa do Brasil, enquanto equipes que fizeram campanhas impecáveis na primeira fase terminavam varridas pelos grandes – caso do Novorizontino em 2018. No ano que vem esse “eliminado de luxo” entra automaticamente no mata mata do Troféu do Interior.

Para quem prega o fim dos campeonatos estaduais – o que para mim seria a sentença de morte de dezenas de clubes do interior de São Paulo – não adianta usar o argumento de que as arquibancadas estão vazias, os clubes estão em pré temporada ou a taça já não é tão importante quanto em décadas passadas. Esqueça a militância. O Paulistão só vai acabar no dia em que a Rede Globo deixar de lucrar com a competição.
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