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Com visto negado, campeão de jiu-jitsu pode não disputar Mundial nos EUA

FOLHAPRESS | 19/12/2019 | 10:15

Campeão mundial de jiu-jitsu, o atleta Gabriel Costa Silva, 22 anos, ostenta mais de 100 medalhas por vitórias no esporte.

Neste mês, conquistou mais uma -foi o primeiro colocado na Grande Final Estadual do Maranhão, realizada em São Luís. Embora o título não seja equivalente, em importância, aos anteriores, desta vez o prêmio foi uma passagem para disputar o mundial na Califórnia, oeste dos EUA.

Seria motivo para comemorar, mas Gabriel está apreensivo. Desde 2016, o consulado norte-americano em São Paulo recusou três pedidos de visto do atleta para entrar nos Estados Unidos. “Minha última tentativa foi em abril do ano passado, um mês antes do campeonato”, conta ele, que em agosto foi graduado à faixa marrom e já é o quarto colocado no ranking de pesos médios do mundo. A faixa marrom vem antes da preta, a mais alta graduação.

Também pela falta de visto, Gabriel teve de recusar um convite para treinar em uma academia em Washington, cujo proprietário enviou uma carta assinada e timbrada ao consulado americano em São Paulo. A carta seguiu junto com os outros documentos, no segundo pedido de visto. Por cada tentativa, ele pagou cerca de 140 dólares.

“Não tem razão plausível para barrarem a entrada do Gabriel, a não ser o descaso. Tudo leva a crer que nem leram a requisição do visto”, diz Luiz Guilherme Fernandes de Jesus, 45 anos, o Guigo, treinador de Gabriel. Ele afirma que “dos cerca de 1500 atletas que participam do mundial, mais de 250 são faixa roxa. E ele é o melhor de todos [quando ainda era faixa roxa]”.

Gabriel sagrou-se campeão brasileiro pela CBJJ (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu), e mundial pela CBJJE (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo), que, diferentemente da CBJJ, é disputado apenas no Brasil. Já competiu também na Suíça, Peru, Chile e em Abu-Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

A competição da Califórnia é promovida pela IBJJF (International Brazilian Jiu-Jitsu Federation), o equivalente nos EUA da CBBJ. “É o campeonato de maior prestígio no esporte”, explica Gabriel. O próximo será em maio.

A reportagem procurou a Secretaria Especial do Esporte, subordinada ao Ministério da Cidadania, para saber se em casos assim eles poderiam interceder -como muito provavelmente fariam se Gabriel fosse, por exemplo, um jogador da seleção brasileira de futebol prestes a disputar um campeonato mundial.

(Apesar de ser bem menos considerado que o futebol, o jiu-jitsu “reinventado” no Brasil -a partir da versão original japonesa -angariou adeptos no mundo todo e atrai milhares de competidores para campeonatos realizados aqui. O último evento brasileiro, em maio, no qual Gabriel foi campeão, teve 7.600 inscritos, um recorde mundial).

aria, informaram que nada poderiam fazer, e orientaram a reportagem a procurar o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).

No começo do ano, o presidente Jair Bolsonaro dispensou os cidadãos dos Estados Unidos da necessidade de tirar visto para viajar ao Brasil. A medida foi publicada no dia 18 de março, em uma edição extra do Diário Oficial da União.

A Embratur informou, na ocasião, que a medida era inédita. “A isenção do visto de forma unilateral é um aceno que fazemos para países estratégicos no sentido de estreitar as nossas relações. Nada impede que essas nações isentem os brasileiros dessa burocracia num segundo momento”, informou o ministério do Turismo, à época. A medida é extensiva a cidadãos de Japão, Canadá e Austrália.

Apesar do suposto estreitamento de relações entre Brasil e Estados Unidos, a assessoria do órgão informou laconicamente que “a concessão de vistos de entrada é decisão soberana de cada país e obedece a critérios definidos pelas suas legislações internas”. “No caso do atleta, somente as autoridades norte-americanas podem fornecer explicações sobre o motivo de recusa de visto.”

Procurada, a assessoria do consulado-geral dos Estados Unidos da América em São Paulo não respondeu às chamadas da reportagem.


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