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Cria da várzea, única mulher árbitra não teme xingamentos

FOLHAPRESS | 10/09/2019 | 08:00

Responsável por quebrar um tabu de 14 anos sem árbitras mulheres na Série A do Campeonato Brasileiro, Edina Alves, 39, teve seu trabalho moldado em cenários bem mais adversos do que os estádios dos times mais importantes do país.

Antes de chegar à elite, a paranaense começou a trabalhar em jogos de futebol masculino com campos de terra, sem estrutura e pouca segurança.

“Na várzea não é mole”, lembra Edina, que apitou a vitória do Flamengo sobre o Avaí no sábado (7), em seu quarto jogo na competição nacional.

“Em jogos amadores, a rivalidade é grande e o pessoal entra para ganhar de qualquer jeito”, afirmou.

Quando lembra a época de árbitra e bandeira em torneios amadores, ela não se queixa.

“Até falavam alguma coisa, mas depois que viam que a gente trabalhava sério, foram respeitando. Quanto aos xingamentos, nunca fiquei prestando atenção ao que falavam”, disse a árbitra.

Na época da escola, jogava basquete, futsal e se destacava por ser a capitã das equipes em que atuava. O jeito firme com que orientava as outras meninas e argumentava com técnicos e juízes chamaram a atenção de um amigo de seu pai, que a convidou para apitar. Tinha 19 anos na época.

Foi num jogo em Ubiratã, no Paraná, que Edina passou pelo que classifica como seu “batismo”. O campo da partida não tinha alambrado e o isolamento era apenas uma corda que separava os jogadores da torcida pelas duas laterais.

O confronto era de uma liga local e logo no início, ela expulsou um jogador do time da casa.

“Me perguntaram se eu queria escolta policial. Respondi que quem precisava de proteção eram os jogadores”, destaca.

Da várzea ao Brasileirão, a árbitra trabalhou em estaduais e divisões inferiores do Nacional. O ápice da carreira veio em 2019, na Copa do Mundo feminina. A paranaense apitou quatro partidas na França, sendo uma delas a semifinal entre EUA e Inglaterra.

Com atuação no masculino e no feminino, ela vê poucas diferenças em competições dos dois gêneros.

“Os jogos entre homens são mais corridos. Mas a pressão, é igual. As vezes uma jogo no feminino pode ser muito mais tenso”, finalizou a juíza.

Edina projeta uma carreira longa no futebol, mas também pensa em outras prioridades na vida.

“Eu penso em ser mãe, mas tudo tem seu tempo”, finalizou.

Foto: Divulgação


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