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Dedicação e evolução do atletismo do Peama

| 07/05/2014 | 11:30

Um simples mergulho em um dia de calor mudou totalmente a vida de um adolescente cheio de sonhos. Fraturas na coluna cervical e no pescoço deixaram Alessandro Alexandrino dos Santos, hoje com 27 anos, tetraplégico. Foram dois anos comprometidos em uma cama e com movimentos limitados: somente a cabeça e o ombro se mexiam.

“Foi muito difícil. Eu tinha 16 anos e sonhava em terminar os estudos, trabalhar. Dai fiquei na cama. Sentia vergonha”, conta o rapaz, morador em Várzea Paulista. Da evolução nas sessões de fisioterapia e acompanhamento médico, surgiu o convite para participar do projeto “Desafio sobre Rodas” promovido pela Secretaria de Saúde de Jundiaí com o Núcleo de Apoio à Pessoa com Deficiência (NAPD), em parceria com a Secretaria de Esportes e com o Programa de Atividades Motoras Adaptadas (Peama).

“Eu vinha uma vez por semana para conhecer e ter contato com modalidades esportivas. E logo eu gostei do atletismo”, diz. Alessandro passou a praticar corridas de 100m e 200m com cadeira e arremesso de disco. Não demorou a destacar-se nas modalidades. Logo na primeira participação em Jogos Regionais, em Votorantim, em 2013, foram três medalhas de ouro.

“Nossa, fiquei me achando. Estava treinando há pouco tempo”, lembra. Nos Jogos Abertos, em Mogi das Cruzes, mais três pódios nos 100m, 200m com cadeira de rodas e no lançamento de disco. “Não foi fácil, porque eu não tenho movimento nos tríceps (músculo que corre na superfície posterior do braço), então é uma categoria difícil (corrida), mais lenta e que exige bastante força. Venci na raça”, explica.

Ainda nos Abertos, Alessandro foi apresentado ao lançamento de club (uma espécie de pino), mais leve do que o disco. “Eu também não tenho movimentos nos dedos da mão. Então o club é mais fácil para lançar. Passei a treinar com ele e tento melhorar sempre. Treino duas vezes por semana no Bolão e pratico em casa também”, conta.

Do próprio bolso
Todas as conquistas e o esforço para se manter no esporte – Alessandro paga do próprio bolso um transporte adequado para ir ao Bolão duas vezes por semana para treinar – o motivaram ainda mais a buscar melhores marcas. E ele foi recompensado na Etapa Regional de São Paulo do Circuito Paralímpico Caixa Loterias, em abril, no Centro Olímpico, em São Paulo. Ele bateu dois recordes brasileiros nos 100m (1min04seg56) e no lançamento de club (11,98 metros).

“Eu não esperava por isso. Eu nem percebi que tinha quebrado o recorde. Minha namorada (Heloisa) que me falou. Fiquei feliz demais”, diz, com um sorriso satisfeito. A meta agora é tentar melhorar ainda mais e ele já mira novas medalhas nos Regionais, a ser disputado em Sorocaba, em julho. “Pena que não tem o lançamento de club nos Regionais. Mas vou tentando melhorar. Quem sabe consigo novos recordes”, diz.


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