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Escalada ganha adeptos após entrar para a Olimpíada de Tóquio

Thiago Batista | 16/02/2020 | 11:00

Escalar o Himalaia, estar entre as nuvens e se desafiar constantemente, prática comum aos adeptos do montanhismo, agora recebe mais um incentivo, com a inclusão da escalada na Olimpíada de Tóquio, entre julho e agosto deste ano. A cada dia o esporte vem tomando gosto dos brasileiros que a praticam na forma indoor. Quando entrou no programa olímpico, as redes sociais ganharam críticos por acreditarem que a escalada não deve ser considerada esporte, o que é rebatido pelo praticante André Perlatti.

“Esporte para mim é uma atividade física onde é possível ter competição. Escalada une tudo isso, pois se trata de uma intensa atividade física que pode existir em uma disputa”, diz.

Os amantes da escalada esperam que número de praticantes aumente no país depois da disputa olímpica. “No Brasil tenho certeza de que vai pegar muito com a Olimpíada. As pessoas terão um contato inicial e verão como é o esporte. Os atletas profissionais fazem campanha para ser uma modalidade universitária, para que tenhamos uma base”, conta André. “Na Europa o esporte é difundido desde a década de 1970. No Brasil começou há pelo menos 20 anos a ter escalada indoor pois não temos grandes paredes e montanhas no Brasil”, completa.

Perlatti, de 36 anos, é um apaixonado pela modalidade. A escalada é um esporte que exige muito do corpo e da mente. “O que me atraiu é um esporte de presença. Por exemplo, no futebol, durante a partida você pode até pensar no churrasco que virá depois, mas na escalada é diferente. É preciso estar concentrado o tempo todo. É um esporte que tem muita adrenalina e a pessoa tem que saber controlar todos estes fatores”, diz.

Outro praticante da escalada é Mateus Henrique Zanelatti, de 34 anos. Amante das trilhas e do montanhismo, ele começou a modalidade quando viu um grupo escalando uma rocha. “Depois disso comecei a pesquisar mais sobre escalada e encontrei um pessoal na empresa que trabalho que já praticava. Então me juntei a eles e comecei a escalar”, declara.

Zanelatti consegue na modalidade esquecer os problemas que tem no seu dia a dia. “Escalada para mim é como se fosse uma terapia. Quando você está face a face com a parede descobre coisas incríveis sobre si próprio. Você se desconecta de tudo e quando chega ao topo é como se fosse um mar de alegria e satisfação”, completa.

Já Anderson Regressi teve bastante influência familiar para começar na modalidade. Seu pai José Carlos foi um dos pioneiros da escalada na região. “Quando ninguém pensava na possibilidade, ele e seus amigos de São Paulo saíam para escalar e desenvolver atividades de montanha. Praticamente cresci desenvolvendo atividades verticais e escalando”, disse.

Atualmente ele não pensa mais em superar desafios, mas sim etapas. “Estou retomando a parte técnica e física para fazer grandes paredes. Pessoalmente, gostaria de escalar montanhas e picos mais altos, como o Dedo de Deus, no estado do Rio de Janeiro (fica entre Petrópolis, Guapimirim e Teresópolis). Espero superar desafios de altura e tempo de escalada”, conta o professor de educação física, de 39 anos.

NA OLIMPÍADA
O modelo de disputa da escalada esportiva para os Jogos Olímpicos, em Tóquio, será um evento combinado das três modalidades oficiais: boulder, dificuldade e velocidade.

O boulder é disputado sem corda, em paredes de 6 metros de altura, que ficam inclinadas 90 graus negativo (para trás) e protegidas por colchões de segurança na base. O objetivo é completar o máximo de boulders (blocos) possível no mínimo de tentativas.

Andre Perlatti comenta que o boulder atualmente não procura atletas mais fortes e sim de inteligência. “Os adversários não sabem como os outros atletas procuram resolver o problema proposto”, lembra.

A dificuldade (lead) é a escalada com cordas e feita em paredes de 15 a 20 metros de altura. O percurso fica gradualmente mais difícil e exige resistência do atleta. Ganha quem chegar mais alto. A disputa de velocidade (speed) é a mais simples para os iniciantes. Reúne dois competidores, lado a lado, em vias idênticas. Ganha quem chegar no topo na frente. As paredes têm, em média, 15 metros.

EM JUNDIAÍ

Atualmente, em Jundiaí, há dois locais para prática da escalada indoor. A média para um dia de atividades é de R$ 40. Ainda existe o aluguel de equipamentos como a sapatilha, que custam R$ 10.
A modalidade pode ser praticada a partir de crianças com dois anos na modalidade boulder. A escalada com cordas é recomendável a partir dos seis anos. .
No ginásio onde costuma dar os seus treinamentos, André promoveu no ano passado pela primeira vez o Campeonato Jundiaiense de boulder.


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